O crescimento econômico de São Paulo perdeu força e colocou a maior economia brasileira na última posição entre os 17 estados acompanhados pelo Banco Central. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, a atividade econômica paulista avançou apenas 0,4%, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional, o IBCR.
O resultado contrasta com o desempenho do Rio de Janeiro, que liderou o levantamento com crescimento acumulado de 5%. Espírito Santo, com 3,9%, Mato Grosso do Sul, com 3,7%, e Mato Grosso, com 3,6%, também apareceram entre os primeiros colocados.
O Banco Central ampliou recentemente o IBCR de 13 para 17 unidades da Federação, com a inclusão de Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. Juntos, os estados atualmente acompanhados representam aproximadamente 91,6% do PIB brasileiro.
São Paulo ocupa a última posição no indicador mais recente
O avanço de 0,4% não representa uma retração da economia paulista, porque o resultado permanece positivo. Entretanto, indica que o crescimento econômico de São Paulo ocorre em ritmo menor do que todos os demais estados incluídos no levantamento do Banco Central.
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Por isso, não é correto afirmar que São Paulo esteja necessariamente na 27ª posição nacional. O ranking do IBCR não contempla os 26 estados e o Distrito Federal. A conclusão adequada é que o estado ficou em 17º lugar entre os 17 estados monitorados.
O desempenho regional também reforça o quadro de menor dinamismo. Nos 12 meses até maio, o Sudeste cresceu 1,6%, a menor taxa entre as cinco regiões. O Centro-Oeste liderou, com 3,1%, seguido por Nordeste, com 2,7%, Norte, com 2,3%, e Sul, com 2,2%.
Último PIB oficial também mostrou crescimento abaixo da média
O desempenho recente acompanha, em alguma medida, o resultado das últimas Contas Regionais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
O dado oficial mais atual disponível para o PIB dos estados refere-se a 2023. Naquele ano, a economia de São Paulo cresceu 1,4%, enquanto o PIB brasileiro avançou 3,2%.
São Paulo ficou empatado com o Pará na 24ª posição entre as 27 unidades da Federação. Somente Rio Grande do Sul e Rondônia, ambos com crescimento de 1,3%, apresentaram taxas menores.
Segundo o IBGE, o desempenho paulista de 2023 foi afetado negativamente pela indústria de transformação, especialmente pelos segmentos de defensivos agrícolas e de fabricação de máquinas e equipamentos.
Maior economia do Brasil continua concentrada em São Paulo
Apesar do baixo crescimento relativo, São Paulo continua sendo, com ampla diferença, a maior economia estadual do Brasil.
Em 2023, o estado respondeu por 31,5% de todo o PIB nacional. Na prática, quase um terço dos bens e serviços produzidos no país estava concentrado na economia paulista. O Rio de Janeiro apareceu na segunda posição, com participação de 10,7%, seguido por Minas Gerais, com 8,9%.
São Paulo também apresentou o segundo maior PIB per capita do Brasil, com R$ 77.566,27, atrás apenas do Distrito Federal, que alcançou R$ 129.790,44.
Assim, os dados revelam uma aparente contradição: São Paulo permanece como o principal centro econômico do país, mas cresce mais lentamente do que economias estaduais menores.
IBCR e PIB não são o mesmo indicador
Embora os dois resultados apontem para um crescimento paulista abaixo da média, IBCR e PIB não podem ser comparados diretamente.
O PIB estadual é calculado pelo IBGE e representa oficialmente o valor dos bens e serviços finais produzidos no estado durante o ano. Sua elaboração exige um volume amplo de informações e, por isso, as Contas Regionais são divulgadas com uma defasagem próxima de dois anos.
Já o IBCR é calculado mensalmente pelo Banco Central e combina informações da agropecuária, indústria e serviços para acompanhar o movimento mais recente da atividade econômica regional. O próprio Banco Central utiliza o índice para avaliar os estados enquanto os números oficiais do PIB ainda não estão disponíveis.
Portanto, o crescimento de 0,4% até maio de 2026 deve ser entendido como uma estimativa conjuntural da atividade econômica, e não como o resultado definitivo do PIB paulista em 2026.
Economia paulista enfrenta desafio de recuperar dinamismo
Os dois indicadores abrangem períodos e metodologias diferentes, mas transmitem um sinal semelhante: a economia de São Paulo continua crescendo, porém em velocidade inferior à observada em boa parte do país.
O baixo resultado não elimina a força econômica do estado, que mantém a liderança nacional em participação no PIB. No entanto, aumenta a atenção sobre a capacidade paulista de estimular investimentos, indústria, consumo, geração de empregos e expansão da produtividade.
Os próximos dados mensais do Banco Central mostrarão se o crescimento de 0,4% representa uma desaceleração temporária ou uma tendência mais persistente. A confirmação definitiva, entretanto, dependerá das futuras Contas Regionais do IBGE.
Perguntas frequentes
São Paulo tem o menor crescimento econômico do Brasil?
No levantamento mais recente do Banco Central, São Paulo teve o menor crescimento entre os 17 estados acompanhados, com alta de 0,4% em 12 meses. Como o IBCR não inclui todas as unidades da Federação, não se pode afirmar que o estado esteja em 27º lugar no país.
Qual é o último dado oficial do PIB de São Paulo?
O último PIB estadual oficial disponível é o de 2023. São Paulo cresceu 1,4% naquele ano e ficou empatado na 24ª posição entre as 27 unidades da Federação.
São Paulo ainda é a maior economia do Brasil?
Sim. São Paulo respondeu por 31,5% do PIB nacional em 2023 e permaneceu como a maior economia estadual do país.

