Como a guerra às drogas dos EUA influenciou o conflito na Colômbia

por Maria Gabriela Portugal
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Uma investigação publicada pelo Intercept Brasil, em parceria com o Drop Site News, lança nova luz sobre um dos temas mais controversos da política externa norte-americana na América Latina: o uso da chamada “guerra às drogas” como ferramenta de influência política e estratégica na região.

Segundo a reportagem, a origem da Segunda Marquetália — grupo dissidente das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — está diretamente ligada a uma operação conduzida pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). A investigação sustenta que uma ação encoberta contra o ex-guerrilheiro e negociador de paz Jesús Santrich contribuiu para desestabilizar o acordo de paz colombiano e impulsionar o retorno de antigos líderes insurgentes à clandestinidade.

O caso ganha relevância internacional porque a Segunda Marquetália passou a figurar entre os grupos classificados pelos Estados Unidos como organizações ligadas ao narcotráfico e ao terrorismo. Essa classificação foi posteriormente utilizada para justificar ações militares e operações de segurança conduzidas pela administração do presidente Donald Trump na América Latina.

A reportagem argumenta que a estratégia norte-americana extrapola o combate ao tráfico de drogas. Ao longo dos últimos anos, Washington ampliou o uso de medidas militares, sanções e investigações judiciais contra governos e lideranças consideradas adversárias de seus interesses geopolíticos na região. Entre os alvos estariam o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e o presidente colombiano Gustavo Petro, ambos frequentemente associados, por autoridades norte-americanas, a questões relacionadas ao narcotráfico.

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Especialistas ouvidos em diferentes reportagens recentes apontam que a crescente militarização da política antidrogas pode produzir efeitos contrários aos desejados. Em vez de enfraquecer organizações criminosas, a fragmentação de grupos armados tende a gerar novas facções, ampliar a violência e dificultar soluções políticas para conflitos históricos da região.

O debate também envolve questões de soberania nacional. Diversos governos latino-americanos demonstram preocupação com o avanço de operações militares e classificações unilaterais realizadas por Washington. Críticos argumentam que o combate ao crime organizado não pode servir de justificativa para intervenções externas que afetem a autonomia dos países da região.

Mais de cinco décadas após o início da guerra global às drogas, os resultados continuam sendo objeto de intensa controvérsia. Enquanto defensores da estratégia afirmam que ela é necessária para conter cartéis e organizações transnacionais, críticos sustentam que o modelo frequentemente mistura objetivos de segurança com interesses políticos e geopolíticos, produzindo consequências duradouras para a estabilidade latino-americana.

A investigação do Intercept reforça uma pergunta que permanece aberta: até que ponto a guerra às drogas é realmente uma política de combate ao crime e até que ponto ela se tornou um instrumento de poder e influência nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina?

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