Presidentes dos Estados Unidos e da China chegam à mesa com tarifas, inteligência artificial e minerais estratégicos no centro das negociações
Donald Trump e Xi Jinping protagonizam nesta quinta-feira (24) um dos encontros diplomáticos mais importantes do ano. O presidente dos Estados Unidos recebe o líder chinês em Washington em uma reunião que coloca frente a frente as duas maiores potências econômicas do planeta em meio a disputas sobre comércio, tecnologia, inteligência artificial e minerais estratégicos.
Um dos assuntos mais sensíveis é o controle chinês sobre a cadeia mundial de terras raras, materiais fundamentais para semicondutores, veículos elétricos, computadores, equipamentos militares e diversas tecnologias avançadas.
Apesar dos investimentos americanos para ampliar sua própria produção, os Estados Unidos deverão continuar dependendo da China para parte relevante de suas necessidades de terras raras durante a próxima década. Dados citados pela Reuters indicam que, mesmo após forte expansão da produção doméstica, os EUA conseguem atender atualmente apenas cerca de 42% de sua demanda pelos dois elementos de terras raras mais utilizados.
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Essa dependência transforma minerais aparentemente pouco conhecidos do público em peças centrais da disputa geopolítica.
O ítrio é um exemplo. O elemento é utilizado em revestimentos resistentes a altas temperaturas, turbinas de motores aeronáuticos, equipamentos de geração de energia e fabricação de semicondutores. Autoridades americanas e japonesas discutiram recentemente gargalos provocados pelas restrições chinesas ao fornecimento do material.
Mas a disputa vai muito além dos minerais.
A inteligência artificial também chegou ao centro das negociações entre Washington e Pequim.
Antes da reunião entre Trump e Xi, representantes dos dois países discutiram IA, comércio e terras raras. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, defendeu a criação de mecanismos de segurança para impedir que modelos avançados de inteligência artificial sejam utilizados por atores considerados perigosos.
Há ainda uma extensa agenda comercial.
Estados Unidos e China discutem a possível extensão da trégua tarifária atualmente em vigor, o acesso de empresas americanas ao mercado chinês, a compra de produtos agrícolas dos EUA e o fornecimento de minerais críticos. Washington também pressiona Pequim por medidas relacionadas aos precursores químicos utilizados na fabricação de fentanil.
O encontro ocorre em um momento no qual a rivalidade entre as duas potências passa por uma transformação.
Durante anos, o confronto econômico esteve concentrado principalmente em tarifas, fábricas e déficits comerciais. Agora, a competição envolve chips, inteligência artificial, minerais críticos, cadeias produtivas e controle das tecnologias que poderão sustentar a economia mundial nas próximas décadas.
A China possui uma posição dominante em etapas importantes do processamento de terras raras. Os Estados Unidos, por sua vez, tentam reconstruir cadeias produtivas domésticas e reduzir vulnerabilidades consideradas estratégicas.
As expectativas de um grande acordo imediato são limitadas. Segundo análises publicadas antes da reunião, um dos objetivos principais poderá ser impedir uma nova escalada das tensões comerciais e garantir o cumprimento dos compromissos já negociados.
Por isso, o encontro entre Trump e Xi ultrapassa a tradicional disputa comercial entre Washington e Pequim.
No centro da negociação está uma questão muito maior: quem terá maior controle sobre os recursos, as cadeias industriais e as tecnologias fundamentais da nova economia global.

