Erros na lousa em escola cívico-militar: polêmica cresce em SP

por Marco Antonio Portugal
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ERROS NA LOUSA

Erros na lousa de uma escola cívico-militar em São Paulo ganharam ainda mais força nas redes sociais nos últimos dias, com vídeos e memes multiplicando críticas ao programa do governo Tarcísio de Freitas. O episódio, ocorrido na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, no Vale do Paraíba, expôs falhas graves de ortografia cometidas por monitores policiais militares aposentados durante a aula inaugural, transformando o erro em símbolo de controvérsias maiores sobre o modelo educacional. A repercussão, que explode desde segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, soma milhões de visualizações em plataformas como Instagram, Facebook e YouTube, alimentada por perfis pessoais e jornalísticos, como TV Vanguarda, afiliada da Globo, que flagrou o momento.

Detalhes do erro e contexto inicial

O tenente Jefferson, monitor da unidade, escreveu “descançar” – com “ç” em vez de “s” – e “continêcia”, omitindo o “n” antes do “c”, enquanto ensinava comandos militares básicos aos alunos em posição de sentido. Após minutos, ele saiu da sala, consultou alguém na porta, voltou e corrigiu as palavras no quadro, sob os olhares dos estudantes que batiam continência para professores e hino nacional. Esse flagrante, capturado pela reportagem do Jornal Vanguarda, ocorreu no primeiro dia letivo sob o novo regime, que abrange 100 escolas em 89 municípios paulistas, impactando cerca de 50 mil alunos e custando R$ 17 milhões anuais em contratos com 208 PMs da reserva para funções de disciplina e civismo, sem interferir no currículo pedagógico ministrado por docentes civis. O programa, sancionado por Tarcísio em 2024 e adiado um ano por liminares judiciais, impõe regras rígidas como uniformes obrigatórios, cabelos curtos para meninos, cabelos presos para meninas, proibição de piercings e bonés, além de revistas matinais com hino e juramento à bandeira, visando fomentar valores patrióticos em comunidades que aderiram via consulta pública.

Explosão nas redes e memes virais

Nas redes, erros na lousa viraram piada nacional em poucas horas, com reels no Instagram acumulando milhares de interações ao rotular o episódio de “tudo errado”, mostrando monitores mandando alunos ficarem em posição de descanso enquanto o português falhava. Memes proliferam com frases como “Descançar da educação de qualidade” ou “Continêcia militar sem n”, compartilhados em grupos de WhatsApp e X, onde deputados como Guilherme Boulos usaram o caso para atacar: “Português errado em escola cívico-militar, proibição de cortes de cabelo modernos, mas alfabetização em xeque”. O vídeo da TV Vanguarda rodou solto, somando views em canais como CBN e YouTube, com títulos como “Escola não é quartel: desastre no primeiro dia”, de perfis bolsonaristas críticos ao governador aliado. O Sindicato Apeoesp, representando professores, repudiou veementemente, chamando o modelo de “inconstitucional, autoritário e cabide de emprego para PMs aposentados na periferia”, prometendo ações judiciais para revogá-lo e redirecionar verbas à educação básica, ampliando o debate para além do erro ortográfico.

Resposta oficial e defesas pontuais

A Secretaria de Educação do Estado emitiu nota curta e técnica, reiterando que “todo conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado por docentes”, enquanto monitores focam “orientações iniciais de disciplina e valores cívicos”, e anunciou avaliações semestrais de desempenho para todos os 208 contratados, visando “verificar adaptação e permanência”. Sem admitir punição específica ao tenente Jefferson ou menção direta aos erros na lousa, a pasta destacou o caráter experimental do programa em 11% das unidades no Vale do Paraíba, como Bom Jesus dos Perdões e Piquete, onde atrasos em uniformes – por falhas em testes de qualidade de fornecedores – já geram queixas de pais dos alunos. Defensores isolados nas redes minimizaram como “erro humano pontual, irrelevante ante a disciplina ganha”, mas foram soterrados pela onda crítica, com portais como Brasil 247 e Carta Campinas rotulando de “catastrófico” e pedindo impeachment de Tarcísio por “destruir o ensino público”. O episódio permanece, até agora, sem pronunciamento do governador, que inaugurou o modelo em dezembro de 2025 sem o secretário Renato Feder.

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Escala do programa e críticas estruturais

Das 100 escolas, sete estão no Vale do Paraíba, representando pioneiras do modelo que promete elevar índices educacionais via hierarquia militar, inspirado em experiências federais sob Bolsonaro. No entanto, o erro na lousa reforça objeções recorrentes: falta de preparo pedagógico dos monitores para qualquer escrita, risco de militarização excessiva em salas de aula – com alunos em fila para continência –, e priorização de aparência sobre aprendizado, como regras de cabelo e uniformes atrasados. Oposição usa o caso para questionar custo-benefício, alegando que R$ 17 milhões poderiam ir para professores concursados, enquanto Apeoesp aponta violações constitucionais ao impor quartel em ambiente civil. Pais dividem opiniões: alguns celebram a “ordem perdida na escola pública”, outros temem repressão a expressões juvenis.

Repercussões ampliadas e perspectivas

O episódio transcende Caçapava, ecoando em debates nacionais sobre privatização velada da educação paulista. Vídeos complementares mostram filas matinais e hinos em Planalto Paulista, mas o foco permanece nos rabiscos corrigidos, simbolizando fragilidades do arranque. Governo monitora redes e avalia monitores, mas silêncio prolongado pode custar imagem política a Tarcísio, que aposta no programa para 2026. Sindicatos pressionam por auditoria, e opositores planejam CPI. Enquanto isso, alunos voltam à rotina sob novos comandos, com erros na lousa como lição involuntária sobre a complexidade de misturar farda e giz.

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