As recentes declarações atribuídas ao senador norte-americano Marco Rubio voltaram a colocar no centro do debate internacional uma questão que há anos circula entre economistas e estrategistas: estaria o domínio do dólar chegando ao fim?
Segundo interpretações que repercutem no cenário geopolítico, Rubio teria alertado para o avanço da chamada desdolarização — movimento em que países passam a realizar transações comerciais utilizando moedas próprias, reduzindo a dependência da moeda norte-americana. Ainda que não haja confirmação de uma fala literal sobre o “fim do reinado do dólar em cinco anos”, o tema reflete uma preocupação crescente dentro dos Estados Unidos.
No centro dessa discussão está a aproximação econômica entre o Brasil e a China. Em 2025, o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China firmaram mecanismos que permitem operações comerciais diretas entre real e yuan, sem a necessidade de conversão para o dólar. A medida é vista como estratégica e simbólica, sobretudo por envolver a maior economia da América do Sul em parceria com a segunda maior economia do mundo.
Esse movimento não é isolado. Países do bloco BRICS vêm discutindo há anos formas de ampliar o uso de moedas locais em suas transações. A iniciativa busca maior autonomia financeira e menor exposição a políticas monetárias externas, especialmente aquelas definidas por Washington.
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Especialistas, no entanto, ponderam que o enfraquecimento do dólar não ocorre de forma abrupta. A moeda norte-americana ainda responde por mais da metade das reservas internacionais e continua sendo o principal meio de troca no comércio global. Além disso, fatores como a estabilidade institucional dos Estados Unidos e a profundidade de seus mercados financeiros mantêm o dólar em posição privilegiada.
Por outro lado, há consenso de que o avanço de sistemas alternativos pode reduzir a eficácia de instrumentos tradicionais de poder dos EUA, como as sanções econômicas. Isso porque tais medidas dependem, em grande parte, do controle sobre fluxos financeiros internacionais baseados no dólar.
Nesse cenário, mais do que o fim de uma era, o que se desenha é uma transição gradual para um sistema financeiro mais multipolar. A ascensão de novas potências econômicas e a busca por autonomia monetária indicam que o dólar pode não desaparecer, mas certamente enfrentará um ambiente de concorrência mais intenso nos próximos anos.

