Crise do petróleo em Cuba não é mais um cenário hipotético, mas a descrição precisa do momento que o país vive desde o início de 2026. A ilha enfrenta o pior aperto energético desde o chamado “Período Especial”, agora detonada pelo corte abrupto do petróleo venezuelano e por uma ofensiva de Washington para bloquear qualquer rota alternativa de combustível.
Em janeiro, após a derrubada de Nicolás Maduro em Caracas por uma operação militar dos Estados Unidos, os tradicionais embarques de petróleo da Venezuela a Cuba foram interrompidos de forma súbita. O governo de Donald Trump, reeleito e no poder em Washington, anunciou que “não haverá mais petróleo nem dinheiro” venezuelano para Havana, indo além das sanções e partindo para um verdadeiro embargo operacional às cargas destinadas à ilha.
Crise do petróleo em Cuba também significa a perda de outro pilar: o México. Pressionado por ameaças de tarifas sobre suas exportações aos EUA, o governo mexicano suspendeu envios de petróleo e combustíveis a Cuba no fim de janeiro, fechando mais uma válvula de escape para o sistema energético cubano. Com isso, a ilha, que já vinha sofrendo com redução gradual de volumes em 2025, perdeu em semanas seus dois principais fornecedores externos.
Hoje, a crise do petróleo em Cuba se traduz em apagões diários, racionamento de combustíveis, paralisação de voos e uma escalada de preços que pressiona ainda mais um país com economia fragilizada e baixa capacidade de impor respostas rápidas.
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Como o embargo ao petróleo venezuelano estrangulou a ilha
Crise do petróleo em Cuba resulta de uma dependência estrutural do petróleo venezuelano. Desde o início dos anos 2000, Havana sustentou sua matriz energética com base em acordos preferenciais com Caracas, que chegaram a garantir cerca de 96 mil barris diários em 2011 e ainda forneciam algo em torno de 30 a 35 mil barris por dia em 2025. Essa corrente foi rompida no começo de 2026.
Venezuela já vinha reduzindo volumes por conta de sanções, problemas internos da PDVSA, estatal de petróleo na Venezuela, e queda de produção. Contido, país mantinha de 3 a 4 navios mensais rumo a Cuba, cobrindo aproximadamente metade do déficit de petróleo da ilha. Após a operação militar americana que derrubou Maduro e o subsequente controle de fluxos de exportação, esse envio foi zerado, deixando terminais cubanos sem as cargas regulares que sustentavam termelétricas e transporte.
Por outro lado, a crise do petróleo em Cuba se aprofundou porque os Estados Unidos não se limitaram a sancionar Caracas. Washington passou a perseguir diretamente navios e empresas que facilitassem o envio de petróleo a Cuba, desenhando uma espécie de bloqueio marítimo informal a qualquer carga destinada à ilha. Ao mesmo tempo, a Casa Branca criou um mecanismo de tarifas punitivas a países que fornecessem petróleo a Havana, o que explicou a retirada mexicana desse tabuleiro em janeiro.
Sem o petróleo venezuelano e com o recuo do México, as margens de manobra de Havana ficaram mínimas. Os envios de Rússia e Argélia, que já eram residuais e esporádicos em 2025, não conseguem compensar a perda de Caracas e Cidade do México, tanto em volume quanto em logística. Isso transformou a crise do petróleo em Cuba em uma corrida contra o relógio para manter o sistema elétrico de pé e evitar o colapso de serviços básicos.
Impactos imediatos: apagões, filas e colapso de serviços
A crise do petróleo em Cuba hoje é visível na rotina. A falta de combustível tem provocado cortes de luz longos e frequentes em praticamente todo o país, com relatos de apagões que se estendem por muitas horas ao dia e deixam bairros inteiros às escuras. Esse déficit elétrico já era grave em 2025, quando termelétricas envelhecidas e falta de manutenção colocavam até 1.000 MW fora do sistema; agora, sem combustível, a situação se tornou “muito complexa”, nas palavras de autoridades cubanas.
A crise do petróleo em Cuba também atinge com força o transporte e a aviação. Com estoques de querosene em níveis críticos, autoridades suspenderam serviços de abastecimento de aviões por pelo menos um mês, levando companhias estrangeiras a cancelar ou suspender rotas, o que isola ainda mais a ilha e compromete o turismo, uma das poucas fontes de divisas do país. Nas ruas, filas quilométricas em poucos postos abertos e o racionamento severo de gasolina e diesel já fazem parte da paisagem.
Situação muito complexa
O efeito cascata da crise do petróleo em Cuba alcança alimentação, saúde e água. Com menos energia, cadeias de frio sofrem interrupções, o que ameaça o armazenamento de alimentos e medicamentos; paralelamente, o bombeamento de água potável fica intermitente, ampliando o risco de doenças e epidemias em meio a uma crise sanitária já sensível. A alta de custos logísticos e o encarecimento do transporte elevam os preços de alimentos básicos, o que agrava uma inflação já cruel para a população.
A resposta social à crise do petróleo em Cuba se manifesta em panelaços e protestos noturnos, frequentemente detonados por apagões prolongados. Em bairros de Havana e em províncias do centro e do leste do país, moradores têm bloqueado ruas para exigir respeito aos horários de cortes programados, demonstrando um desgaste crescente com o que o governo descreve oficialmente como “economia de guerra”.
O que dizem Havana, Washington, Europa, Rússia e China
A crise do petróleo em Cuba está no centro de um novo embate geopolítico. O governo cubano acusa as medidas dos Estados Unidos de configurarem uma estratégia de “coerção econômica” destinada a forçar uma mudança de regime na ilha até o final de 2026. Em discursos oficiais, autoridades em Havana comparam o momento a um cenário de guerra, argumentando que o bloqueio ao petróleo viola o direito internacional e amplia os efeitos do embargo econômico imposto há décadas.
Do lado americano, a narrativa é de pressão máxima. O governo Trump apresenta a suspensão do petróleo venezuelano e o cerco a outros fornecedores como parte de uma política mais ampla de combate ao “autoritarismo” em Havana. Ao vincular tarifas a países que vendam petróleo a Cuba, Washington tenta isolar economicamente o governo cubano e limitar qualquer socorro energético externo.
Na Europa, a crise do petróleo em Cuba é acompanhada com preocupação humanitária. Veículos europeus destacam os alertas das Nações Unidas, que já falam em risco de “colapso humanitário” se a situação de combustível e alimentos não melhorar nas próximas semanas. Países europeus, embora críticos ao embargo histórico a Cuba, mostram cautela para não entrar em rota frontal com a política energética de Washington, mas pressionam por canais de ajuda que evitem o colapso social na ilha.
A crise do petróleo em Cuba também chama atenção em Moscou e Pequim. A Rússia, que vinha enviando cargas limitadas de petróleo à ilha, mantém apoio político, mas enfrenta limitações logísticas e de volume para substituir Venezuela e México na escala necessária. Por outro lado a China, importante parceira comercial de Havana, acompanha a crise, mas não surge até agora como fornecedora central de petróleo, concentrando-se mais em apoio financeiro, cooperação tecnológica e investimentos de longo prazo, o que não resolve o vazio de barris no curto prazo segundo analistas de energia citados por veículos internacionais.
Perspectivas para os próximos dias
Como resultado, a crise do petróleo em Cuba tende a se agravar no curto prazo, segundo avaliações de organismos internacionais e especialistas em energia ouvidos por veículos de América Central, Europa e outros observadores globais. Com o fluxo venezuelano interrompido, o México fora do jogo e a Rússia atuando apenas de forma pontual, não há, por enquanto, fonte alternativa capaz de repor rapidamente dezenas de milhares de barris diários perdidos.
Nos próximos dias, a tendência é de manutenção ou até aumento dos apagões, especialmente com a necessidade de manutenção programada em usinas como a Antonio Guiteras, uma das principais termelétricas do país. Com a crise do petróleo em Cuba, o governo terá de optar entre abastecer serviços essenciais, hospitais, água, transporte público, e preservar algum nível de atividade econômica, cenário que pode aprofundar a insatisfação popular.
Diplomaticamente, Cuba ensaia gestos de abertura. Autoridades indicaram disposição para conversar com os Estados Unidos, ainda que descartem negociar “mudança de regime” como condição para aliviar a pressão sobre o petróleo. Ao mesmo tempo, Havana tenta ampliar contatos com parceiros como Rússia, Argélia e outros exportadores dispostos a enfrentar riscos políticos e comerciais impostos pelo mecanismo de tarifas e sanções americanas.
A grande incógnita é até onde a sociedade cubana suportará a combinação de crise do petróleo em Cuba, inflação, escassez e cortes de serviços, sem que o descontentamento se transforme em uma onda de protestos mais ampla e organizada. Para analistas da região, se o bloqueio ao fluxo de petróleo for mantido ao longo de 2026 sem algum tipo de acordo, a ilha pode entrar em uma fase ainda mais aguda de colapso econômico, com efeitos humanitários que tendem a acionar pressões da ONU, de governos europeus e de aliados de Havana no eixo Rússia-China.

