Copa do mundo de 2026 começa no México com formato inédito de 48 seleções, mas o torneio dividido entre EUA, Canadá e México é envolvido por polêmicas que vão desde restrições do governo Trump até o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã
A Copa do Mundo FIFA de 2026 teve início nesta quinta-feira (11) de forma oficial, com a partida México x África do Sul no tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México. O torneio, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho, marca dois ineditismos históricos: será o primeiro a contar com 48 seleções — eram 32 até 2022 — e o primeiro realizado conjuntamente por três países.
Mas o que deveria ser pura celebração do futebol transformou-se em uma das edições mais conturbadas da história do evento. Entre o início da copa no fundo do estádio AZTECA, o fim negociado da guerra entre EUA e Irã, baixa divulgação comercial, problemas de patrocínios regionais e exploração política sem precedentes, o Mundial de 2026 carrega cicatrizes que vão muito além dos 104 jogos previstos.
O pontapé inicial no México e 78 jogos nos EUA
A abertura no Azteca simboliza uma tentativa de equilibrar a distribuição do evento. Embora a partida de abertura ocorra no México, 78 dos 104 jogos totais acontecerão nos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump. Essa concentração nos EUA tornou o torneio alvo de críticas crescentes sobre o clima político que permeia toda a organização.
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O Brasil fará sua estreia no sábado, 13 de junho, enfrentando Marrocos, com a Seleção Brasileira buscando vencer as desconfianças para levar o hexa. O país é o único pentacampeão, tendo conquistado o título em 2002. Dentro de campo, o Mundial também deve marcar o fim da Era Messi (Argentina) e Cristiano Ronaldo (Portugal), dois ícones que definiram uma geração do futebol mundial.
Fim da guerra EUA-Irã: diplomacia sob pressão
Enquanto o futebol começa a rolar, um dos conflitos geopolíticos mais impactantes dos últimos anos encontra caminho para o desfecho. O Irã afirmou publicamente que está pronto tanto para diplomacia quanto para guerra com os Estados Unidos, mantendo tom de alerta enquanto pressiona por solução negociada.
Teerã já apresentou ao mediador paquistanês uma proposta abrangente para encerrar permanentemente a guerra. O plano sugere o fim das hostilidades imediatas, com garantias que Israel e EUA não atacarão o país novamente, abertura imediata do Estreito de Ormuz, encerramento do bloqueio aos portos iranianos pelos EUA, e transferência das discussões sobre restrições ao programa nuclear para fase posterior.
A Guarda Revolucionária do Irã disse que irá “determinar o fim da guerra” e que Teerã não permitirá que “um litro de petróleo” seja exportado da região se os ataques dos EUA e Israel continuassem. Em maio de 2026, EUA e Irã relataram progresso nas negociações para acabar com a guerra que já provocou a maior interrupção histórica no fornecimento global de energia.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em março que “não há prazo definitivo” para o fim do conflito, dependendo exclusivamente da decisão do presidente Donald Trump. Esse cenário de tensão geopolítica influenciou diretamente a preparação da Copa, com a seleção iraniana, turistas e membros de delegações afetados por restrições migratórias do governo Trump.
Baixa divulgação e o boom hoteleiro que virou fiasco
Contrariando previsões otimistas de um “boom” de US$ 30 bilhões em receita, 80% dos hotéis americanos estão com reservas abaixo do esperado — um sinal claro que o megaevento pode virar fiasco econômico. A política restritiva de vistos patrocinada por Trump afastou turistas da Copa e abalou severamente o setor hoteleiro nos EUA.
A baixa divulgação comercial do torneio tornou-se evidente antes mesmo do pontapé inicial. Enquanto a FIFA vendia cotas globais de patrocínio, muitas marcas esperaram até o último ano para fazer ativações, deixando a capital Washington sem campanhas significativas. A expansão para 48 times, que elevou o total de partidas de 64 para 104, gerou críticas de torcedores que argumentam que mais equipes de menor nível comprometerão a qualidade técnica.
Pesquisa recente indica que a aprovação da Copa está “muito baixa”, mostrando uma vitrine de fracasso do governo Trump. O ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, manifestou apoio à ideia de boicote por parte dos torcedores, citando preocupações sobre as atitudes de Trump e sua administração.
Patrocínios: recorde histórico no geral, problemas nos bastidores
A FIFA confirmou a venda total das cotas globais de patrocínio da Copa 2026, estabelecendo recorde histórico de US$ 2,8 bilhões antes do início do torneio. Todas as 16 vagas de patrocínio global foram preenchidas, abrangendo tanto os “Parceiros da FIFA” — categoria mais elevada — quanto os “Patrocinadores oficiais”.
O grupo de elite inclui marcas como Adidas (bola oficial), Coca-Cola, Visa, Hyundai-Kia, Qatar Airways, Aramco, Lenovo, Budweiser, Bank of America, McDonald’s, Lay’s, Hisense, Unilever (Dove Men+Care) e Verizon. A expansão para 48 seleções trouxe diversidade sem precedentes de fornecedoras de material esportivo, com marcas regionais e estreantes ganhando palco global.
No entanto, o novo modelo comercial criou problemas inesperados. Diferentemente das últimas edições, as cidades-sede poderão vender seus próprios patrocínios separadamente do programa comercial da FIFA, mas esses patrocinadores não poderão explorar direitos de propriedade intelectual da entidade, incluindo logotipos e marcas da Copa. Essa divisão criou conflitos comerciais e confusão no mercado.
Exploração política: Infantino, Trump e o “Prêmio da Paz”
A Copa de 2026 tem sido chamada de “a mais política das Copas do Mundo”. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu publicamente relação próxima com Donald Trump, afirmando que “é absolutamente crucial para o sucesso da Copa ter um relacionamento próximo com o presidente”. Essa postura foi criticada por grupos como Supporters Europe por questões de direitos humanos.
Em dezembro de 2025, a FIFA criou o “Prêmio da Paz da FIFA — O Futebol une o mundo” por sugestão de Trump e entregou o troféu ao presidente americano durante o sorteio dos grupos em Washington. Infantino entregou um troféu e medalha a Trump, dizendo que ele “prestando um fundamental” na criação de um cessar-fogo entre Israel e Irã.
O jornal francês L’Équipe retratou Infantino como “fantoche de Trump” na capa de 10 de junho, criticando a relação após restrições migratórias contra atletas e árbitros. Infantino afirmou na Cidade do México que “sem o compromisso e envolvimento de Donald Trump, teria sido impossível organizar uma Copa do Mundo nos Estados Unidos”.
Barreiras financeiras e políticas para torcedores
Muitos torcedores enfrentam barreiras de duas ordens: financeiras — os ingressos são os mais caros de todos os tempos, com ingressos premium para a final inicialmente avaliados em cerca de US$ 11 mil (aproximadamente R$ 57 mil) — e políticas — sob Trump, os EUA dificultam entrada de torcedores, atletas e delegações.
A Federação Iraniana de Futebol acusou os Estados Unidos de retirar a cota de ingressos destinada a torcedores do Irã nas vésperas da Copa, decisão considerada política que pode deixar torcedores fora dos jogos da seleção. A ONU pediu que EUA revisassem política de imigração durante a Copa, enquanto a Anistia Internacional alertou sobre risco de prisões e discriminação para o público.
Árbitros foram impededos de entrar nos Estados Unidos, com um caso simbólico: um árbitro somali retornou à Somália e foi recebido como herói após ser barrado. Torcedores de seleções classificadas correm risco de enfrentar problemas com leis de imigração nos EUA durante o torneio.
48 seleções: ineditismo questionado
A primeira Copa com 48 seleções elevou o total de partidas para 104, mas muitos críticos argumentam que a expansão compromete qualidade técnica. “Mais equipes de menor nível participarão”, segundo torcedores que questionam o formato. O México receberá jogos, Canadá também, mas 78 partidas concentradas nos EUA tornam o país a principal sede.
Dentro de campo, o Mundial deve marcar fim da Era Messi-Cristiano Ronaldo, enquanto Brasil busca hexa histórico sob comando de Carlo Ancelotti. A diversidade de fornecedoras de material esportivo é sem precedentes: Nike, Adidas e Puma dominam, mas marcas regionais ganham palco.

