Vazão chega a 11,8 milhões de litros por segundo nas Cataratas; temporal provoca alagamentos em Foz do Iguaçu, deixa desabrigados e eleva o nível do Rio Paraná.
Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, enfrenta um cenário de alerta após chuvas intensas elevarem drasticamente o volume dos rios Iguaçu e Paraná. Na segunda-feira (12), a vazão do Rio Iguaçu atingiu 11,8 milhões de litros por segundo, quase oito vezes a média histórica informada de 1,5 milhão de litros por segundo. A força das águas levou ao fechamento de atrações turísticas e ampliou a preocupação com possíveis impactos em áreas urbanas.
A passarela da Garganta do Diabo, nas Cataratas do Iguaçu, está interditada desde domingo (11), quando a vazão já havia alcançado 8,8 milhões de litros por segundo. Embora o Parque Nacional do Iguaçu permaneça aberto, trilhas e atrativos como Poço Preto, Bananeiras, Circuito São João e Espaço Usina foram temporariamente fechados. Do lado argentino, a visitação foi totalmente suspensa.
Rio Paraná sobe rapidamente e acende alerta
Além do volume excepcional do Iguaçu, a elevação do Rio Paraná preocupa autoridades e moradores. Na região da Ponte da Amizade, o nível chegou a 116,13 metros, ante 110,50 metros registrados no dia anterior.
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Apesar da elevação expressiva, a marca ainda estava abaixo da cota aproximada de 119 metros, a partir da qual residências da região começam a ser afetadas. A subida está relacionada ao chamado efeito de remanso: com o Rio Iguaçu em níveis elevados, o escoamento das águas do Paraná encontra resistência, favorecendo a elevação do nível do rio.
Na área urbana de Foz do Iguaçu, a água avançou sobre um porto de extração de areia no bairro Porto Meira, levando os funcionários a deixarem o local preventivamente. A situação mantém em alerta as equipes responsáveis pelo monitoramento dos rios e das áreas vulneráveis.
Temporal deixa desabrigados e provoca alagamentos
A cheia dos rios ocorre em meio a um episódio de chuva intensa. Segundo o Simepar, Foz do Iguaçu registrou 144,4 milímetros de precipitação em um único dia, o maior volume entre os municípios paranaenses no período informado.
O temporal provocou alagamentos em bairros como Jardim Ipanema, Bourbon e Jardim Morenitas. De acordo com o balanço da Defesa Civil, nove pessoas ficaram desabrigadas e outras 16 desalojadas. Também foram registrados queda de árvore e danos em telhados.
A Itaipu Binacional emitiu um alerta sobre possíveis impactos no lado brasileiro, enquanto as Defesas Civis municipal e estadual acompanham a evolução das condições hidrológicas e os riscos para a população.
Cheia também afeta o Paraguai
Os efeitos das chuvas ultrapassaram a fronteira brasileira. Em Ciudad del Este, no Paraguai, cerca de 60 famílias foram retiradas do bairro San Rafael diante dos riscos associados à elevação das águas.
A situação reforça a dimensão regional do episódio, que afeta áreas próximas à fronteira e exige acompanhamento das autoridades dos dois países.
Até o momento descrito no balanço, não havia previsão para a reabertura da passarela da Garganta do Diabo nem dos atrativos interditados. A retomada da visitação dependerá das condições de segurança e da evolução da vazão dos rios.
Enquanto os níveis permanecem elevados, o monitoramento segue fundamental para antecipar possíveis inundações, orientar moradores de áreas vulneráveis e reduzir os riscos à população.

