Brasil na ONU: Presidente Lula Defende Soberania e Multilateralismo

por Maria Gabriela Portugal
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LULA ONU

Brasil na ONU: Presidente Lula Defende Soberania e Multilateralismo. Na abertura do debate geral da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA 80), em 23 de setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro chefe de Estado a discursar, mantendo a tradição brasileira iniciada em 1955. O discurso, proferido em português às 10h (horário de Brasília) na sede da ONU em Nova York, durou cerca de 15 minutos e abordou temas centrais como multilateralismo, combate à fome, mudanças climáticas, democracia e soberania nacional. Acompanhado por uma comitiva ministerial, incluindo Mauro Vieira (Relações Exteriores), Marina Silva (Meio Ambiente) e Camilo Santana (Educação), Lula usou o palco global para reforçar o papel do Brasil no cenário internacional e responder a tensões recentes, especialmente com os Estados Unidos.

Pontos Principais do Discurso

Combate à Fome e Desenvolvimento Sustentável
Lula celebrou a saída do Brasil do “Mapa da Fome” da FAO em 2025, atribuindo o feito a políticas sociais que beneficiaram milhões de brasileiros. Ele descreveu o combate à fome como “a única guerra em que todas as nações podem sair vencedoras”, destacando que 673 milhões de pessoas (8,2% da população global) enfrentaram insegurança alimentar em 2024. O presidente defendeu maior cooperação global para erradicar a fome, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Mudanças Climáticas e COP30
No âmbito ambiental, Lula anunciou um aporte de US$ 1 bilhão para a Tropical Forests Forever Facility, um fundo multilateral para conservação de florestas tropicais. Ele propôs a criação de um “Conselho vinculado à Assembleia Geral” para monitorar compromissos climáticos globais, reforçando o papel do Brasil como anfitrião da COP30 em 2025. O presidente enfatizou a urgência de ações contra o aquecimento global, criticando o “egoísmo” de nações ricas que descumprem promessas de financiamento climático.

Defesa da Soberania e Democracia
Em resposta às tensões com os Estados Unidos — que impuseram tarifas de 50% ao Brasil e sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e familiares devido à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe em 2022 —, Lula foi enfático: “O Brasil é uma nação independente e um povo livre de qualquer tipo de tutela.” Ele afirmou que a democracia e a soberania são “inegociáveis” e enviou um recado a “aspirantes a autocratas”, rejeitando interferências externas.

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Multilateralismo e Reformas na ONU
Lula defendeu um multilateralismo renovado e reformas no sistema da ONU, especialmente no Conselho de Segurança, para ampliar a representação do Sul Global. Ele criticou sanções unilaterais e arbitrárias que prejudicam economias e instituições, apontando para a necessidade de maior inclusão e financiamento para o desenvolvimento global.

Conflitos Globais
Sobre conflitos internacionais, Lula condenou a guerra em Gaza, classificando-a como uma “tragédia humanitária”, e defendeu a solução de dois Estados, alinhando-se à resolução da ONU de setembro de 2025. Ele também solicitou esforços para a paz na Ucrânia e em outras regiões em conflito, reforçando o lema da UNGA 80: “Melhor juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos.”

Tom e Impacto

O discurso de Lula foi marcado por um tom otimista, mas firme, mesclando conquistas nacionais com críticas a desigualdades globais e ingerências externas. A fala, traduzida simultaneamente e transmitida ao vivo pela ONU e por veículos brasileiros, alcançou milhões de pessoas, com áudio disponível no site oficial da ONU. Aplaudido pela plateia, Lula reforçou a liderança do Brasil no combate à fome e às mudanças climáticas, enquanto sua defesa da soberania ressoou como uma resposta direta às pressões dos EUA.

Contexto e Relevância

Como primeiro orador, Lula deu o tom do debate geral, que ocorre em um momento de divisões globais, crises humanitárias e desafios financeiros na ONU. Sua décima participação na abertura da UNGA — um recorde entre líderes mundiais — consolidou a posição do Brasil como defensor do multilateralismo e da cooperação Sul-Sul. O discurso também preparou o terreno para a COP30, que será um marco para o Brasil em 2025, e reforçou a relevância da ONU em seus 80 anos, apesar das críticas à sua eficácia.

Em resumo, Lula usou a tribuna da UNGA 80 para projetar um Brasil soberano, engajado em causas globais e comprometido com a democracia, deixando claro que o país busca liderar pelo exemplo em um mundo marcado por crises e polarizações.

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