Governos demonstram interesse na retomada da ligação aérea, mas operação ainda depende de uma companhia disposta a assumir a rota
Brasil e Rússia avançam nas discussões para restabelecer voos diretos entre os dois países, interrompidos há mais de duas décadas. A iniciativa conta com disposição dos governos brasileiro e russo, mas ainda depende de uma companhia aérea interessada em transformar o projeto em uma operação comercial.
Segundo o embaixador brasileiro em Moscou, Sergio Rodrigues dos Santos, os dois governos veem a proposta de maneira positiva. O principal desafio agora é encontrar uma empresa capaz de avaliar a viabilidade econômica e operacional da ligação.
A criação de uma rota direta reduziria a dependência de conexões em terceiros países. Atualmente, passageiros que viajam entre Brasil e Rússia geralmente precisam fazer escala em grandes centros internacionais antes de chegar ao destino.
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A aproximação no setor aéreo também ocorre em um contexto de ampliação das relações entre Brasília e Moscou. Brasil e Rússia integram o BRICS e mantêm relações comerciais e diplomáticas em diferentes áreas. Uma conexão aérea regular poderia facilitar não apenas o turismo, mas também viagens empresariais, intercâmbios acadêmicos e missões oficiais.
A ideia não é inédita. A Aeroflot já operou voos entre Moscou e São Paulo durante a década de 1990, incluindo operações sem escala. A companhia russa encerrou seus serviços para o Brasil em 2000.
Apesar do interesse político, a retomada enfrenta obstáculos. Uma eventual operadora terá de considerar demanda de passageiros, custos de uma rota de longa distância, disponibilidade de aeronaves, seguros, pagamentos internacionais e o ambiente regulatório decorrente das sanções impostas à Rússia desde a invasão da Ucrânia.
Por isso, ainda não existe uma data oficial para o início dos voos nem uma companhia confirmada para realizar a operação.
Se sair do papel, entretanto, a rota poderá representar mais um canal direto de conexão entre Brasil e Rússia, em um momento no qual o governo brasileiro busca manter relações econômicas e diplomáticas com diferentes polos internacionais.
Por enquanto, portanto, Brasil e Rússia demonstram estar politicamente dispostos a restabelecer a ligação. O próximo passo será encontrar quem esteja disposto a colocar os aviões no ar.

