Brasil e Rússia firmam parceria estratégica para mineração de urânio e minerais críticos
Em um movimento que pode reposicionar o Brasil no cenário global de energia e recursos estratégicos, a NBEPar, empresa nuclear ligada ao grupo Diamante, e o Uranium One Group, subsidiário da estatal russa Rosatom, anunciaram a criação de uma joint venture voltada à exploração mineral no país.
O acordo, assinado na terça-feira (24), estabelece a formação da Nadina Minerals, empresa conjunta que terá como foco a prospecção e exploração de novas jazidas de urânio e outros minerais considerados críticos para a transição energética e o avanço tecnológico.
A iniciativa ocorre em um momento de crescente disputa global por recursos estratégicos, como terras raras e materiais utilizados em baterias, energia nuclear e tecnologias de ponta. Nesse contexto, o Brasil busca ampliar sua relevância internacional, aproveitando seu vasto potencial geológico ainda pouco explorado.
Publicidade
A parceria com o Uranium One Group traz ao projeto uma expertise consolidada. A empresa russa é reconhecida como uma das líderes mundiais na mineração de urânio, com operações relevantes em países como Cazaquistão, Namíbia e Tanzânia — regiões que concentram algumas das maiores reservas do mineral no mundo.
Segundo especialistas, a transferência de tecnologia e know-how pode acelerar significativamente a capacidade brasileira de identificar e desenvolver novas jazidas, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a cadeia produtiva nacional.
A cooperação entre Brasil e Rússia no setor nuclear, no entanto, não é recente. A Rosatom já atua como fornecedora de urânio enriquecido para a usina nuclear de Angra dos Reis nuclear power plant, além de colaborar no processamento do urânio brasileiro. A estatal também ocupa posição de destaque no fornecimento de isótopos utilizados na medicina nuclear no país, área essencial para diagnósticos e tratamentos de diversas doenças.
Analistas avaliam que a criação da Nadina Minerals pode representar um passo decisivo para o Brasil consolidar sua autonomia em recursos estratégicos, ao mesmo tempo em que amplia sua inserção em cadeias globais de alto valor agregado.
Apesar do potencial econômico, a iniciativa deverá enfrentar debates regulatórios e ambientais, especialmente em relação à exploração de urânio — atividade que exige rigorosos controles de segurança e fiscalização.
A expectativa é que os próximos meses sejam dedicados à estruturação operacional da nova empresa e à definição das primeiras áreas de atuação, marcando o início de uma nova fase na política mineral e energética brasileira.

