Biden bloqueia entrada de veículos elétricos chineses nos EUA

Biden veículos elétricos China ameaça segurança

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou na quinta-feira, 29, medidas para bloquear a entrada de veículos elétricos chineses no mercado automotivo americano.

Biden afirmou que carros e caminhões conectados à internet da China representam riscos à segurança nacional, devido à possibilidade de seus sistemas operacionais enviarem informações confidenciais para Pequim.

Ademais, essa ação imediata consistiu na abertura de uma investigação pelo Departamento de Comércio sobre as ameaças à segurança, que poderia resultar em novas regulamentações ou restrições aos veículos chineses.

Contudo, o governo deixou claro que essa é apenas a primeira etapa de uma série de respostas políticas que visam impedir que os veículos elétricos chineses, de baixo custo, inundem o mercado dos EUA e levem as montadoras nacionais à falência.

Aumento da produção na China

O governo chinês aumentou rapidamente a produção de veículos elétricos nos últimos anos, entrando em conflito com os esforços de política industrial de Biden para auxiliar as montadoras americanas a dominar esse mercado tanto no país quanto no exterior.

Alguns carros chineses menores são vendidos por menos de US$ 11 mil cada, um valor significativamente mais baixo do que um veículo elétrico comparável fabricado nos EUA.

As medidas adotadas pelo governo ocorrem em um momento em que o ex-presidente Donald J. Trump, provável oponente de Biden nas eleições de novembro, o critica por incentivar as montadoras a adotarem veículos elétricos. Ambos os candidatos estão buscando se apresentar como mais rígidos em relação à China.

China quer dominar o mercado automotivo

Essas ações foram resultados de discussões com montadoras de Detroit, sindicatos de trabalhadores do setor automotivo e com a gigante de veículos elétricos Tesla. Biden afirmou que a China busca dominar o futuro do mercado automotivo, inclusive por meio de práticas injustas.

Além disso, ele destacou que as políticas da China podem inundar o mercado americano com veículos, colocando em risco a segurança nacional dos EUA, e que não permitirá que isso aconteça durante seu mandato.

A ação de quinta-feira não impôs imediatamente novas barreiras aos veículos elétricos chineses, que já enfrentam altas tarifas e ainda não conseguiram penetrar no crescente mercado americano de carros de energia limpa.

Sob a orientação de Biden, o Departamento de Comércio iniciou uma investigação sobre a ameaça representada pela tecnologia incorporada nos veículos elétricos chineses, incluindo softwares automotivos comuns fabricados na China.

Softwares espiões

Autoridades do governo alertaram que esses softwares poderiam rastrear a localização dos motoristas americanos, os locais em que carregam seus veículos e até mesmo as músicas ou podcasts que ouvem enquanto estão na estrada.

Ademais, o anúncio de Biden faz parte de sua iniciativa contínua de aumentar as restrições tecnológicas à China, seguindo uma tendência de relações comerciais mais antagônicas entre as maiores economias do mundo.

Essa investigação do Departamento de Comércio, ordenada por Biden, marca o primeiro uso de uma nova autoridade estabelecida por uma ordem executiva emitida por Trump em 2019.

Contudo, as autoridades de Biden afirmam que a investigação pode resultar em novas restrições americanas aos veículos que dependem de software chinês.

Além disso, estão sendo consideradas outras medidas para evitar ainda mais a importação de veículos chineses, como o aumento de tarifas de 25% sobre os veículos provenientes da China.

A intenção é garantir que as montadoras e os trabalhadores do setor automotivo dos EUA se mantenham altamente competitivos.

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