Luiz Inácio Lula da Silva recebeu manifestações de felicitação de líderes de diferentes regiões do mundo após vencer o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado em 25 de outubro de 2026. As mensagens vieram de representantes da América Latina, Europa, África, Ásia e América do Norte e destacaram temas como democracia, comércio, integração regional, meio ambiente e cooperação diplomática.
Entre os nomes que se manifestaram estão Emmanuel Macron, da França; Pedro Sánchez, da Espanha; Claudia Sheinbaum, do México; Narendra Modi, da Índia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Também houve mensagens de representantes de países vizinhos, como Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile, Equador e Peru.
A repercussão internacional oferece um primeiro retrato dos desafios diplomáticos do próximo mandato brasileiro. As felicitações são gestos protocolares, mas também funcionam como sinais sobre as prioridades de governos estrangeiros e as áreas em que pretendem manter ou ampliar a cooperação com Brasília.
Quais líderes mundiais parabenizaram Lula?
Entre os nomes confirmados estão:
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- Claudia Sheinbaum, presidente do México, celebrou o resultado como uma vitória da democracia e do povo brasileiro.
- Santiago Peña, presidente do Paraguai, destacou a agenda comum de integração e desenvolvimento entre os dois países.
- Yamandú Orsi, presidente do Uruguai, informou ter conversado por telefone com Lula e o felicitado pela vitória.
- Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, ressaltou os vínculos históricos e os desafios compartilhados entre os países vizinhos.
- Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, associou o resultado à continuidade de um projeto de soberania, paz e justiça social.
- José Raúl Mulino, presidente do Panamá, felicitou Lula e defendeu a continuidade da cooperação bilateral.
- Daniel Noboa, presidente do Equador, destacou os desafios regionais e a necessidade de trabalho conjunto.
- José Antonio Kast, presidente do Chile, manifestou-se sobre o futuro das relações entre os dois países, com referência à integração econômica e ao combate ao crime organizado.
- Keiko Fujimori, presidente do Peru, cumprimentou Lula e mencionou a disposição de fortalecer a aliança estratégica, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada.
- Emmanuel Macron, presidente da França, defendeu o fortalecimento da parceria estratégica franco-brasileira.
- Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, interpretou o resultado como um sinal de retomada do progressismo internacional.
- Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil.
- António Costa, presidente do Conselho Europeu, informou ter felicitado Lula por telefone e ressaltou a parceria entre a União Europeia e o Brasil.
- Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, destacou os vínculos econômicos e a importância do diálogo diante dos desafios internacionais.
- Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, manifestou interesse em aprofundar a parceria estratégica entre os dois países.
- Ulf Kristersson, primeiro-ministro da Suécia, também foi citado entre os líderes europeus que parabenizaram o presidente brasileiro.
- Jonas Gahr Støre, primeiro-ministro da Noruega, manifestou-se sobre a vitória.
- Rob Jetten, primeiro-ministro dos Países Baixos, também integrou a lista de felicitações europeias.
- Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, destacou oportunidades de comércio, proteção ambiental e prosperidade compartilhada.
- Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, parabenizou Lula e agradeceu ao Brasil pelo apoio à soberania e à integridade territorial ucranianas.
- Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, defendeu a ampliação da parceria estratégica entre os dois países e a cooperação em temas de interesse do Sul Global.
- Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, classificou a vitória como relevante para o Sul Global e para forças progressistas.
- Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, enviou uma mensagem de felicitações e expressou interesse em aprofundar as relações bilaterais.
- Anthony Albanese, primeiro-ministro da Austrália, felicitou Lula e defendeu a continuidade da parceria entre as duas democracias.
- Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, comunicou a disposição de Pequim de continuar trabalhando com o Brasil. Nesse caso, a manifestação foi feita por um representante diplomático, e não pelo presidente chinês.
América Latina: integração regional e interesses compartilhados
A América Latina teve presença expressiva nas felicitações. A proximidade geográfica, a circulação de pessoas e mercadorias e os desafios relacionados à segurança, à infraestrutura e ao desenvolvimento tornam a relação com os países vizinhos especialmente relevante para o Brasil.
No Paraguai, Santiago Peña ressaltou a agenda comum de integração e desenvolvimento. No Uruguai, Yamandú Orsi relatou ter conversado com Lula. Já Rodrigo Paz, da Bolívia, destacou os vínculos históricos e as oportunidades de cooperação entre os dois países.
As mensagens do Chile e do Equador também abordaram interesses concretos. José Antonio Kast mencionou integração econômica e combate ao crime organizado, enquanto Daniel Noboa destacou a existência de desafios regionais que exigem coordenação.
No Peru, Keiko Fujimori relacionou a aproximação bilateral ao desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada. O tema tem relevância estratégica porque envolve preservação ambiental, atividades econômicas, comunidades locais e compromissos internacionais.
As manifestações não significam que esses governos concordem com todas as posições de Lula. A diplomacia costuma combinar diferenças ideológicas com interesses práticos, como comércio, segurança de fronteiras, investimentos e infraestrutura.
Europa: comércio, clima e multilateralismo
Na Europa, as mensagens enfatizaram a continuidade das relações institucionais e a cooperação em temas globais. Emmanuel Macron destacou a parceria estratégica entre França e Brasil, enquanto Pedro Sánchez associou o resultado eleitoral brasileiro a uma possível recuperação das forças progressistas.
Ursula von der Leyen, à frente da Comissão Europeia, ressaltou a democracia e o multilateralismo. António Costa, presidente do Conselho Europeu, também enfatizou a relação entre a União Europeia e o Brasil.
O interesse europeu envolve diferentes áreas, entre elas comércio, política climática, transição energética e relações com países emergentes. A relação entre a União Europeia e o Mercosul permanece um tema relevante para os dois lados, especialmente por seus possíveis efeitos sobre exportações, investimentos e regras comerciais.
A Alemanha, representada pelo chanceler Friedrich Merz, também manifestou interesse em aprofundar a parceria estratégica. Portugal, por sua vez, destacou os vínculos econômicos e a importância do diálogo internacional.
Essas mensagens apontam para uma agenda de continuidade, mas não garantem acordos novos ou avanços automáticos. O resultado efetivo dependerá de negociações, decisões governamentais e da capacidade de conciliar interesses econômicos e regulatórios.
China, Índia, Japão e África do Sul: o peso do Sul Global
As manifestações de países asiáticos e africanos mostram a dimensão internacional da política externa brasileira. Índia, China e África do Sul integram o BRICS ao lado do Brasil, grupo que também inclui outros membros e que busca ampliar a cooperação econômica e política entre seus participantes.
Narendra Modi destacou a intenção de aprofundar a parceria estratégica entre Índia e Brasil. O interesse pode envolver comércio, agricultura, energia, tecnologia e coordenação em fóruns multilaterais. O alcance concreto dessas possibilidades dependerá de iniciativas e negociações posteriores.
No caso chinês, a mensagem divulgada pelo porta-voz Guo Jiakun indicou disposição para dar continuidade à cooperação bilateral. A China é um parceiro econômico de grande importância para o Brasil, especialmente no comércio de commodities, embora a relação também envolva investimentos e interesses industriais.
A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese também foram citados entre os líderes que parabenizaram Lula. Já Cyril Ramaphosa, da África do Sul, relacionou a vitória brasileira ao cenário político mais amplo do Sul Global.
A diversidade dessas manifestações reforça que a política externa brasileira precisa administrar relações com parceiros que têm prioridades, modelos econômicos e posições geopolíticas diferentes. A participação em fóruns multilaterais oferece oportunidades de coordenação, mas não elimina divergências.
Estados Unidos e Argentina: ausência de felicitações até o momento das primeiras reportagens
Enquanto diversas lideranças estrangeiras se manifestaram, as primeiras coberturas publicadas em 26 de outubro informaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não haviam parabenizado Lula.
A ausência de uma mensagem imediata, por si só, não comprova rompimento diplomático nem permite concluir quais serão as relações futuras entre os governos. O silêncio pode refletir cálculo político, divergências ideológicas, decisões de comunicação ou simplesmente o tempo de resposta institucional.
No caso dos Estados Unidos, a relação com o Brasil tem consequências para comércio, investimentos, defesa, tecnologia, meio ambiente e coordenação internacional. Com a Argentina, a integração econômica e as relações no Mercosul tornam a interlocução entre os governos particularmente importante.
A situação precisa ser acompanhada com atenção porque manifestações públicas podem mudar ao longo dos dias seguintes. Por isso, a informação sobre a ausência de felicitações deve ser vinculada ao momento em que foi apurada, e não apresentada como uma condição permanente.
O que as mensagens revelam sobre a diplomacia brasileira?
As felicitações oferecem sinais iniciais de disposição para manter canais de diálogo, mas devem ser interpretadas com cautela. Uma mensagem protocolar não equivale a apoio irrestrito ao programa de governo, assim como uma divergência pública não significa necessariamente a interrupção de relações diplomáticas.
O conteúdo das manifestações ajuda a identificar temas prioritários. Na América Latina, aparecem integração, desenvolvimento, segurança e cooperação amazônica. Na Europa, ganham destaque comércio, clima e multilateralismo. Entre parceiros asiáticos e africanos, a ênfase recai sobre a parceria estratégica e a coordenação entre países emergentes.
Para o governo brasileiro, o desafio será converter essa disposição diplomática em resultados verificáveis. Isso inclui ampliar oportunidades comerciais, atrair investimentos produtivos, fortalecer a cooperação científica e tecnológica e manter canais de negociação em questões internacionais controversas.
Também será necessário equilibrar interesses que nem sempre coincidem. A relação com parceiros comerciais relevantes, por exemplo, exige atenção a disputas regulatórias, diferenças políticas e mudanças na conjuntura internacional.
As primeiras manifestações, portanto, funcionam como uma fotografia diplomática dos dias seguintes à eleição. Elas indicam interlocutores e temas de interesse, mas não antecipam, isoladamente, os resultados do próximo mandato.
A lista de felicitações pode crescer à medida que outros governos se pronunciem. O acompanhamento das mensagens oficiais, dos encontros diplomáticos e das decisões concretas permitirá avaliar se a receptividade inicial se traduzirá em acordos e cooperação efetiva

