Criminosos exploram medo, urgência e confiança para assumir contas de comerciantes e desviar valores de vendas
A segurança digital das empresas de pagamento evoluiu nos últimos anos, mas um ponto continua vulnerável: o comportamento humano. A chamada engenharia social tem sido a principal porta de entrada para golpes envolvendo aplicativos de máquinas de pagamento, atingindo especialmente pequenos e médios comerciantes.
Diferente de invasões técnicas complexas, esse tipo de fraude não exige quebrar sistemas de segurança. O objetivo é convencer o usuário a entregar informações sensíveis ou autorizar ações que permitem o desvio de recursos.
Como o golpe acontece
Os criminosos geralmente se passam por funcionários da empresa responsável pela maquininha. Usam linguagem técnica, números de telefone semelhantes aos oficiais e criam cenários de urgência — como bloqueio iminente da conta ou suspeita de fraude.
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Em muitos casos, solicitam que o comerciante informe códigos recebidos por SMS ou altere dados cadastrais “para evitar suspensão”. Ao fornecer essas informações, a própria vítima acaba entregando o acesso ao aplicativo.
Outra tática comum envolve mensagens por WhatsApp ou SMS com links falsos que imitam páginas oficiais. O layout é quase idêntico ao verdadeiro, dificultando a identificação da fraude.
Por que a engenharia social funciona?
Especialistas em segurança apontam que esses golpes exploram fatores psicológicos previsíveis:
- Medo (ameaça de bloqueio de conta)
- Urgência (prazo curto para agir)
- Autoridade (uso da marca da empresa)
- Confiança (comunicação aparentemente profissional)
A manipulação ocorre antes que a vítima tenha tempo de refletir racionalmente.
Impactos para o comerciante
Quando o golpe é bem-sucedido, os criminosos podem:
- Alterar a conta bancária cadastrada
- Desviar valores das vendas
- Realizar transferências indevidas
- Bloquear temporariamente o acesso do lojista
Além do prejuízo financeiro, há impacto na credibilidade do estabelecimento e dificuldade para recuperar os valores.
Como se proteger
Empresas do setor reforçam que nenhum funcionário solicita códigos de verificação por telefone ou mensagem. Especialistas recomendam:
✔ Não informar códigos recebidos por SMS
✔ Não clicar em links enviados por aplicativos de mensagem
✔ Confirmar qualquer contato apenas pelos canais oficiais
✔ Ativar autenticação em dois fatores
✔ Treinar funcionários para reconhecer tentativas de fraude
O elo humano é o principal alvo
Apesar dos investimentos em tecnologia, a maior vulnerabilidade continua na engenharia social. O ataque não mira o sistema — mira a decisão do usuário.
Em um cenário de digitalização acelerada e crescimento dos pagamentos eletrônicos, a prevenção passa menos por tecnologia e mais por educação e conscientização.
Dados estatísticos atualizados sobre fraudes digitais no Brasil
Crescimento geral das tentativas:
O Brasil registrou quase 6,94 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025, um aumento de 29,5% em relação ao mesmo período anterior, com uma ocorrência registrada a cada 2,3 segundos.
Fraudes via Pix:
Entre janeiro e setembro de 2025, foram contabilizados 28 milhões de golpes usando o Pix, consolidando o sistema como um dos principais alvos dos criminosos digitais no país.
Engenharia social no setor financeiro:
Estudo recente indica que fraudes baseadas em engenharia social são as mais comuns no sistema financeiro brasileiro, reportadas por cerca de 30% das instituições entrevistadas em pesquisa sobre prevenção a crimes.
Golpes diários:
Pesquisas internacionais apontam que, em média, brasileiros enfrentam cerca de 252 tentativas de scam por ano por pessoa — ou seja, mais de uma fraude a cada dois dias na vida de cada adulto.

