Eleições 2026: reta final do segundo turno mais disputado da história

por Maria Gabriela Portugal
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Eleições 2026: reta final do segundo turno mais disputado da história

Após o primeiro turno de 4 de outubro de 2026, a eleição presidencial brasileira entrou em fase decisiva. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT), diferença de menos de 2 pontos percentuais, a mais apertada desde a redemocratização. A disputa foi para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Cerca de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, número quase 19 vezes maior que a diferença entre os candidatos. Esse contingente tornou-se o principal alvo das duas campanhas.

Campo de Flávio Bolsonaro: consolidar alianças e evitar o “já ganhou”

Flávio iniciou o segundo turno com vantagem em alianças. O Progressistas (PP e União Brasil), o Novo e o Republicanos declararam apoio oficial. Ele conquistou o respaldo de pelo menos 17 governadores ou candidatos a governador, incluindo Tarcísio de Freitas (SP) e Cleitinho Azevedo (MG), além dos três estados do Sul.

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A estratégia é descentralizar: aliados no Congresso foram instruídos a retornar aos seus estados para impulsionar a campanha local e monitorar as declarações do adversário.

Apesar da liderança, aliados alertam Flávio contra o clima de “já ganhou”. Discutir prematuramente o futuro governo pode parecer arrogância e desmobilizar a base. O conselho é reduzir o tempo em Brasília e ampliar atividades de rua, como carreatas e motociatas.

Campo de Lula: reanimar a base e mirar os abstencionistas

O maior desafio de Lula é reconectar-se com seus eleitores que não votaram no primeiro turno. O diretor do Vox Brasil, Alberto Barros, resume: “Lula não perdeu seus eleitores. Seus eleitores simplesmente não foram votar.”

Pesquisa do Vox Brasil divulgada em 9 de outubro mostra Lula à frente, com 44,2% contra 42,7% de Flávio. A mudança se deve principalmente ao retorno dos eleitores de Lula, e não à transferência de votos.

Lula ampliou a coordenação de campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE) voltou ao núcleo, e governadores, senadores e líderes de outros partidos foram incorporados. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou: “O segundo turno exige uma estratégia diferente.”

O Nordeste é a região decisiva para ampliar a vantagem. O objetivo é aumentar a votação na Bahia, no Ceará e em Pernambuco. No Piauí, onde Lula obteve 70,99% dos votos válidos, aliados estabeleceram a meta de chegar a 80%.

Lula adotou a PEC que põe fim à escala 6×1 como principal arma eleitoral. A proposta reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, está coletando assinaturas para votá-la em dois turnos antes da eleição. A equipe também planeja ampliar a presença nas redes sociais com uma força-tarefa digital.

No Sudeste, Lula pretende intensificar a campanha em Minas Gerais e São Paulo para reduzir a diferença. Após a pesquisa Datafolha, o próprio Lula declarou: “O único caminho é conquistar votos.”

Cenário das pesquisas

Até 9 de outubro, as pesquisas mostravam Flávio à frente na maioria dos levantamentos:

InstitutoFlávioLulaCritério
Datafolha52%48%Votos válidos
Atlas/Bloomberg51,1%45,7%Votos totais
PoderData/Aya53%47%Votos válidos
Vox Brasil42,7%44,2%Votos totais

Datafolha, Atlas e PoderData mostram Flávio liderando com margens de 4 a 6 pontos em votos válidos. O Vox Brasil é o único que aponta Lula à frente, com margem estreita de 1,5 ponto. A diferença pode ser explicada por metodologias distintas e pelo momento da coleta.

Flávio leva vantagem entre homens, evangélicos, renda média e nas regiões Sul e Sudeste. Lula mantém vantagem entre mulheres (50% a 42%) e no Nordeste. As taxas de rejeição caíram: Lula em 46% e Flávio em 43%.

A grande incógnita é o comportamento dos 33,4 milhões de eleitores que não votaram. Se retornarem em massa, a vantagem de Flávio pode ser revertida. Se permanecerem ausentes, a vitória de Flávio tende a se confirmar.

Calendário do segundo turno

Em 9 de outubro, começou a propaganda gratuita no rádio e na TV, com tempo igual para os dois: 5 minutos por bloco diário e 12 minutos e 30 segundos de inserções. O primeiro debate está marcado para 11 de outubro, na Band. O debate da TV Globo está previsto para 23 de outubro. A votação será em 25 de outubro, das 8h às 17h, horário de Brasília.

O que está em jogo

Para Flávio Bolsonaro, a vitória depende de manter a vantagem no Sul e Sudeste, evitar o excesso de confiança e conquistar parte dos abstencionistas.

Para Lula, a virada depende de trazer de volta os eleitores que não votaram, ampliar a vantagem no Nordeste, reduzir a diferença no Sudeste e mobilizar jovens e trabalhadores com a pauta da escala 6×1.

A diferença de menos de 2 pontos no primeiro turno, combinada com o alto número de abstencionistas, torna o segundo turno imprevisível. O resultado de 25 de outubro definirá não apenas o próximo presidente, mas o rumo político do Brasil pelos próximos quatro anos.

Fonte: Datafolha, Atlas/Bloomberg, PoderData/Aya e Vox Brasil.

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