Eleições 2026 redesenham o mapa político do Brasil

por Maria Gabriela Portugal
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O primeiro turno das eleições de 2026 não definiu apenas os dois candidatos que disputarão a Presidência da República. As urnas também produziram mudanças importantes no Congresso Nacional, decidiram governos estaduais e reorganizaram a distribuição de forças políticas que comandará parte significativa do país a partir de 2027.

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na primeira colocação, com cerca de 47% dos votos válidos, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com aproximadamente 45%. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O resultado presidencial representa uma mudança em relação a 2022. Naquela eleição, Lula terminou o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro, com 48,43% contra 43,20%. Quatro anos depois, o candidato do PL passou à frente no primeiro turno, enquanto Lula registrou percentual inferior ao obtido na eleição anterior.

Mas uma das mudanças mais expressivas ocorreu no Congresso.

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Na Câmara dos Deputados, o PL elegeu 121 parlamentares e terá a maior bancada na legislatura que começa em fevereiro de 2027. São 24 deputados a mais em relação ao resultado da eleição anterior, segundo a projeção da Câmara feita quando 99,9% dos votos já haviam sido apurados e não havia possibilidade de alteração do resultado. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece em segundo lugar, com 82 deputados, seis a menos do que havia conquistado na eleição anterior.

A transformação foi ainda mais pronunciada no Senado Federal, onde estavam em disputa 54 das 81 cadeiras, duas por unidade da Federação. O PL elegeu 19 senadores e deverá começar 2027 com uma bancada de 28 integrantes. Se a composição projetada for mantida até a posse, será a maior bancada partidária a iniciar uma legislatura no Senado desde a Constituição de 1988.

O PT deverá aparecer com nove senadores e o MDB com oito, segundo a projeção da Agência Senado. O PSD, por outro lado, deverá ficar com cinco integrantes, depois de ter começado a atual legislatura, em 2023, com 15.

O PL também estabeleceu uma marca ao eleger 19 dos 54 novos senadores escolhidos neste domingo, o equivalente a 35,2% das cadeiras que estavam em disputa. Em cinco unidades da Federação — Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina — o partido conseguiu eleger os dois senadores.

A eleição também ampliou a presença feminina no Senado. Doze mulheres foram eleitas, e a bancada feminina deverá chegar a 18 senadoras no início de 2027, segundo a projeção da própria Casa.

Nos governos estaduais, grande parte das disputas terminou já no primeiro turno. Dos 26 estados e do Distrito Federal, 20 estados escolheram seus governadores sem necessidade de uma nova votação. Outros estados e o Distrito Federal terão segundo turno.

Entre os maiores colégios eleitorais, São Paulo reelegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito com 55,41%. No Paraná, Sergio Moro (PL) venceu com 50,10%, enquanto no Rio Grande do Sul Luciano Zucco (PL) foi eleito com 58,05%.

No Nordeste, oito estados definiram seus governadores no primeiro turno. Entre eles, a Bahia reelegeu Jerônimo Rodrigues (PT), o Ceará reelegeu Elmano de Freitas (PT), Pernambuco reelegeu Raquel Lyra (PSD), o Piauí reelegeu Rafael Fonteles (PT), enquanto Alagoas escolheu JHC (PSDB) e o Maranhão elegeu Eduardo Braide (PSD).

Algumas disputas importantes, entretanto, permaneceram abertas. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) avançaram para o segundo turno. No Distrito Federal, a disputa será entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT). No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) também disputarão a segunda etapa.

O conjunto dos resultados mostra que a eleição de 2026 produziu uma configuração política que não pode ser compreendida apenas pela disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Na Presidência, a decisão foi adiada para o segundo turno. No Congresso, porém, grande parte da nova correlação de forças já está estabelecida: o PL conquistou a maior bancada da Câmara e ampliou fortemente sua presença no Senado. Nos estados, o cenário permaneceu mais diversificado, com vitórias de PL, PT, Republicanos, PSD, PP, MDB, Podemos e outras legendas.

Assim, o primeiro turno deixou duas fotografias simultâneas do Brasil político. De um lado, uma disputa presidencial apertada que ainda será decidida nas urnas. De outro, um Congresso no qual o PL ampliou sua representação e um mapa estadual fragmentado entre diferentes partidos e alianças regionais.

O segundo turno decidirá quem ocupará a Presidência e os governos estaduais ainda em disputa. Mas uma parcela decisiva da eleição de 2026 já foi definida: a composição do Congresso e a maior parte dos governos estaduais que participarão da relação política e institucional com o próximo presidente a partir de 2027.

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