quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Vigilância no Brasil: Entenda o Escândalo First Mile

por Redação T1E1
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VIGILÂNCIA

Vigilância e o uso de tecnologias intrusivas por agências de inteligência brasileiras, com o envolvimento de empresas estrangeiras, são o cerne de um escândalo que abala as estruturas de segurança e privacidade no país. O sistema First Mile, desenvolvido pela israelense Verint Systems Inc. e comercializado no Brasil pela Suntech S/A (atual Cognyte Brasil S/A), está sob investigação por seu uso indevido e pela omissão deliberada de sua natureza intrusiva. Entenda com se deram as conexões internacionais e os desdobramentos dessa complexa trama.

A Origem Israelense do First Mile

O sistema First Mile, uma ferramenta de vigilância de alta capacidade, tem suas raízes em Israel, sendo desenvolvido pela Verint Systems Inc. A Verint é uma empresa globalmente reconhecida por suas soluções de inteligência acionável, incluindo ferramentas de otimização da experiência do cliente e inteligência cibernética. No entanto, a natureza de algumas de suas tecnologias, como o First Mile, levanta sérias questões sobre privacidade e direitos individuais quando utilizadas sem a devida supervisão e controle. A aquisição e implementação desse sistema no Brasil, conforme apurado em recente investigação da Polícia Federal (PF), ocorreu em um processo marcado por irregularidades e pela falta de transparência quanto às suas reais funcionalidades.

A Conexão Brasileira: Suntech S/A e Cognyte Brasil S/A

A ponte entre a tecnologia israelense e as agências brasileiras foi a Suntech S/A, que atuava como representante oficial da Verint no Brasil. A Suntech, posteriormente renomeada para Cognyte Brasil S/A, desempenhou um papel crucial na comercialização e implementação do First Mile em diversas esferas do poder público brasileiro. Contratos milionários foram firmados com governos estaduais e outras entidades, expandindo o alcance da ferramenta de vigilância por todo o território nacional. A mudança de nome da empresa, de Suntech para Cognyte Brasil, coincide com o período em que as investigações sobre o uso do First Mile começaram a ganhar força, levantando suspeitas sobre uma possível tentativa de desvincular a imagem da empresa do escândalo.

O Esquema de Omissão e o Uso Indevido

As investigações apontam para um esquema de omissão deliberada da natureza intrusiva do sistema First Mile durante o processo de aquisição. O relatório da PF destaca que a ferramenta, que permite a vigilância de comunicações e dados, foi adquirida sem a devida licitação e sem a clareza necessária sobre suas capacidades de intrusão. Essa falta de transparência permitiu que o sistema fosse utilizado de forma indiscriminada, inclusive para fins de espionagem ilegal de autoridades e cidadãos. A engenharia reversa realizada na ferramenta comprovou sua natureza invasiva, contradizendo as informações fornecidas durante o processo de compra.

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Implicações para a Soberania e a Segurança Nacional

O envolvimento de uma empresa estrangeira no fornecimento de uma ferramenta de vigilância tão poderosa para agências de inteligência brasileiras levanta sérias preocupações sobre a soberania nacional e a segurança dos dados. A dependência de tecnologia estrangeira para atividades tão sensíveis pode expor o país a vulnerabilidades e interferências externas. Além disso, o uso indevido do First Mile por agentes públicos, com a possível conivência de intermediários, representa uma grave ameaça ao Estado Democrático de Direito e aos direitos fundamentais dos cidadãos.

Próximos Passos e o Futuro da Vigilância no Brasil

As investigações sobre o escândalo First Mile continuam, visando identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos crimes cometidos. O caso serve como um alerta para a necessidade de maior rigor e transparência na aquisição e uso de tecnologias de vigilância por parte do Estado. É fundamental que o Brasil estabeleça marcos regulatórios claros e mecanismos de controle eficazes para garantir que essas ferramentas sejam utilizadas somente nos limites da lei e em estrita conformidade com os princípios democráticos e os direitos humanos. O futuro da vigilância no Brasil dependerá da capacidade do país de aprender com os erros do passado e construir um sistema de inteligência que seja eficaz na proteção da sociedade, sem comprometer as liberdades individuais.

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