A tensão no Caribe aumenta com a Venezuela sob novo ataque diplomático e militar após a apreensão de um segundo petroleiro por forças dos Estados Unidos no Mar do Caribe. O incidente, ocorrido nas últimas 24 horas, desencadeou uma forte reação do governo de Nicolás Maduro, que classificou a ação como um ato de “roubo e sequestro” e prometeu levar o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A situação é complexa e envolve as relações da Venezuela com potências como Rússia, China e Irã, que se manifestaram em apoio a Caracas.
A apreensão e a resposta de Caracas
A operação, conduzida pela Guarda Costeira dos EUA com apoio do Departamento de Defesa, interceptou o navio-tanque “Centuries” em águas internacionais. Em declaração, a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, confirmou a ação, afirmando que o país continuará a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado, que, segundo Washington, é usado para financiar o narcoterrorismo na região. A apreensão do “Centuries” é a segunda em menos de duas semanas, seguindo a do navio “Skipper”.
O governo venezuelano, por sua vez, emitiu um comunicado veemente, condenando o que chamou de “pirataria” e denunciando o “desaparecimento forçado” da tripulação. Caracas advertiu que “estes atos não ficarão impunes” e que tomará “todas as medidas adequadas”, incluindo a denúncia perante o Conselho de Segurança da ONU e outras organizações multilaterais.
| Navio Apreendido | Data da Apreensão | Local | Acusação dos EUA | Reação da Venezuela |
| “Centuries” | 20 de dezembro de 2025 | Águas internacionais do Mar do Caribe | Movimento ilícito de petróleo sancionado | “Roubo e sequestro”, “pirataria” |
| “Skipper” | 10 de dezembro de 2025 | Águas internacionais do Mar do Caribe | Navio sob sanções por ligações com o Irã | “Roubo descarado” |
O Envolvimento de China, Rússia e Irã
A crise se aprofunda ao tocar em interesses de nações aliadas da Venezuela. O navio “Centuries”, embora não estivesse sob sanções diretas dos EUA, pertence a uma empresa petrolífera com sede na China e transportava petróleo bruto venezuelano com destino a refinarias no país asiático. A China, um dos principais compradores do petróleo venezuelano, ainda não emitiu uma declaração oficial sobre a apreensão do “Centuries”, mas a natureza da carga e do proprietário do navio sugere um potencial atrito diplomático com Washington.
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O Irã foi mais direto em sua manifestação. O Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou a ação dos EUA, classificando-a como “pirataria marítima estatal” e ofereceu apoio a Caracas “em todas as áreas” para combater o que descreveu como “pirataria e terrorismo internacional” perpetrados pelos EUA. A ligação entre o Irã e a Venezuela no transporte de petróleo já havia sido destacada na apreensão anterior do “Skipper”, que estava sob sanções por laços com Teerã.
A Rússia, por meio de sua cobertura jornalística, como a da BBC Russian, deu destaque à condenação venezuelana e ao contexto de aumento da presença militar dos EUA no Caribe, que Washington justifica como combate ao narcotráfico, mas que Caracas vê como uma tentativa de mudança de regime. A Rússia tem sido uma voz constante na ONU contra o que considera “abordagens neocoloniais” dos EUA contra a Venezuela.
Perspectiva espanhola e o contexto internacional
A cobertura na Espanha tem relatado a escalada da tensão e na condenação de Maduro. A situação se insere em um contexto mais amplo de pressão da administração Trump sobre a Venezuela, que inclui um bloqueio total de petroleiros sancionados.
A Venezuela solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para terça-feira, 23 de dezembro, a fim de discutir a situação. Este encontro será crucial para observar a dinâmica de apoio e condenação entre os membros do Conselho, especialmente Rússia e China, que possuem poder de veto.
A apreensão do petroleiro “Centuries”, que não estava na lista de sanções, mas que transportava petróleo venezuelano para a China, sugere uma intensificação da estratégia de pressão dos EUA, visando não apenas os navios sancionados, mas toda a cadeia de exportação de petróleo da Venezuela. A resposta coordenada de Caracas, Teerã e a expectativa de posicionamento de Pequim e Moscou indicam que o Mar do Caribe se tornou um novo e perigoso palco de disputas geopolíticas internacionais.

