Tarifas de Trump: Suprema Corte derruba e Brasil ganha fôlego

por Marco Antonio Portugal
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As tarifas de Trump caem por terra em decisão histórica da Suprema Corte americana. O presidente usou poderes de emergência para impor taxas globais, mas os juízes viram excesso. Agora, o Brasil respira aliviado, com exportações menos pressionadas.

A decisão que freia o tarifaço global

Por seis votos a três, a Suprema Corte julgou ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para criar tarifas amplas. Trump invocou emergência para taxar importações de quase todos os países, sem aval claro do Congresso. John Roberts, presidente da Corte, destacou que a lei não menciona tarifas nem dá esse poder ilimitado ao Executivo.

Isso atinge as tarifas “recíprocas” e globais de 2025, que geraram bilhões em arrecadação, mas criaram caos no comércio. A Corte aplicou a “major questions doctrine”: em temas econômicos gigantes, só com lei explícita. Trump reagiu rápido, prometendo tarifa global de 10% via outras leis, como a Seção 301.

O que muda no arsenal tarifário americano

Nem tudo cai. Tarifas de Trump sob Section 232 (segurança nacional, como aço e alumínio) e Section 301 (contra práticas desleais, como na China) seguem vivas. A derrubada foca no IEEPA, usado para tarifas emergenciais sobre fentanil e imigração, afetando Canadá, México e mais.

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Empresas americanas que contestaram veem alívio contra custos imprevisíveis. Bolsas subiram com a notícia, mas incerteza sobre devolução de bilhões arrecadados paira. Trump chama a decisão de “decepcionante” e mira caminhos alternativos, mais fortes, diz ele.

Brasil: alívio parcial, mas cautela domina

Para o Brasil, as tarifas de Trump foram pesadas: até 50% em abril de 2025 sobre quase tudo, mais 40% em julho, afetando 57% das exportações aos EUA, que somam US$ 98 bilhões anuais. A decisão derruba essa base ilegal, abrindo espaço para a retomada de competitividade em aço, petróleo e aeronaves da Embraer.

Governo Lula reage com cautela: “boa notícia”, diz Haddad, mas sem euforia, com reunião Trump-Lula marcada para março. Setores como siderurgia (35% das vendas para os EUA) e agro (café, carnes, frutas) ganham previsibilidade, reduzindo pressão no dólar e inflação aqui. Ainda assim, 35% das exportações seguem com 40-50% de tarifa sob outras leis.

Setores brasileiros mais afetados e beneficiados

O aço brasileiro perdeu mercado com as tarifas de Trump de 25-50%, já que EUA compram 35% da produção nacional. Agora, com a queda do IEEPA, exportadores preveem recuperação, mas temem a Seção 301 como retaliação futura. Petróleo e derivados (US$ 7,5 bi) e ferro/aço (US$ 5,3 bi) lideram os ganhos potenciais.

No agro, soja escapa direto, mas café, carne bovina e frutas voltam a campo mais limpo. Celulose, minério e aviões da Embraer também respiram, com 43% das exportações isentas antes, mas agora com menos risco geral. Analistas veem dólar menos pressionado e juros americanos possivelmente mais baixos, bom para emergentes como o Brasil.​

Trump reage e o risco de nova guerra comercial

Trump não baixa a guarda. Ele assina decreto para 10% global via Seção 122 do Trade Act e mira punições seletivas, com Brasil na mira possível da Seção 301. Isso mantém tensão: tarifas de Trump viram ferramenta política, de pressão externa a discurso interno.

Para Brasília, é hora de negociar. O governo monitora, evita confronto e busca diversificar mercados, como a China para soja. A decisão reforça limites ao Executivo americano, mas a guerra comercial não acaba: só muda de forma.

O que esperar daqui para frente

As tarifas de Trump entram em fase legislativa: Congresso deve debater ampliação de poderes presidenciais, mas eleições travam avanços rápidos. No Brasil, exportadores ajustam estratégias, com foco em acordos bilaterais e OMC. Mercados globais ganham estabilidade curta, mas volatilidade segue.

A Suprema Corte mandou recado claro: comércio bilionário não se muda por emergência. Para o Brasil, é chance de reconquista, mas com olhos abertos para o próximo movimento de Trump.

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