A Rússia deu um novo passo em um dos projetos navais mais ambiciosos de sua história recente: o desenvolvimento do primeiro petroleiro de gás subaquático nuclear do mundo, desenhado para navegar sob o gelo do Ártico e transportar GNL diretamente de depósitos submarinos até portos continentais. A iniciativa, que conta com apoio direto do presidente Vladimir Putin, é vista por autoridades russas como uma peça estratégica para ampliar a presença do país nas rotas energéticas do extremo norte.
O navio, que supera em tamanho tanto o lendário submarino Typhoon quanto o porta-aviões norte-americano Gerald Ford, está sendo desenvolvido pelo Instituto Kurchatov em parceria com o Bureau de Design Malakhovka. A proposta combina propulsão nuclear a um casco de grande porte capaz de operar integralmente abaixo da superfície, evitando limitações impostas pelo gelo ártico — um dos principais gargalos logísticos da região.
Segundo seus projetistas, o petroleiro atuaria como um “gasoduto móvel subaquático”, oferecendo vantagens econômicas e operacionais: redução estimada de 30% no consumo de combustível em comparação a rotas convencionais e corte pela metade no tempo total de transporte. A operação silenciosa e protegida sob o gelo também ampliaria a segurança do transporte de GNL, tradicionalmente dependente de navios quebra-gelo e condições climáticas favoráveis.
A ideia não é completamente nova. O conceito foi apresentado pela primeira vez em 2019, mas só voltou a ganhar força em 2024, quando estudos técnicos foram retomados em meio ao esforço da Rússia para expandir sua infraestrutura energética no Ártico. Em outubro de 2025, o governo aprovou formalmente a próxima fase do programa, abrindo caminho para protótipos e testes.
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Apesar do entusiasmo oficial, o projeto enfrenta críticas. Especialistas ocidentais e russos classificam a iniciativa como tecnicamente audaciosa, destacando desafios como a falta de portos especializados, limitações nas rotas do Ártico e os altos custos associados a submarinos de grande porte movidos a energia nuclear. Para alguns analistas, a viabilidade comercial dependerá não somente da tecnologia, mas de uma complexa infraestrutura que hoje ainda é insuficiente.
Mesmo assim, Moscou vê o projeto como fundamental para garantir vantagem estratégica em um Ártico cada vez mais disputado. Caso avance conforme previsto, o petroleiro subaquático nuclear poderá redefinir as rotas energéticas da região nas próximas décadas.

