quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Reclamações da Prefeitura de São Paulo crescem em 2025

por Marco Antonio Portugal
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RECLAMAÇÕES

Reclamações da Prefeitura de São Paulo registradas no SP156 mostram que 2025 marca uma virada para pior após um ciclo de melhora entre 2021 e 2022. No consolidado por ano, a fatia de avaliações “Ótimo” cai de 53,7% em 2021 para 43,6% em 2022 e 39,6% em 2023, até chegar a 31,1% em 2025, enquanto “Péssimo” sobe de 17,1% em 2021 para 28,9% em 2024 e 35,8% em 2025. Na prática, a distância entre extremamente satisfeitos e extremamente insatisfeitos se inverte: em 2021, “Ótimo” superava “Péssimo” em mais de 36 pontos; em 2025, “Péssimo” já ultrapassa “Ótimo” em quase 5 pontos percentuais.​

Ao olhar mês a mês, as reclamações ganham força, especialmente no segundo semestre de 2025. Em agosto, 35,1% das avaliações são “Péssimo” e 17,5% “Ruim”, somando 52,6% de opiniões negativas, contra 26,8% de “Ótimo” e 12,4% de “Bom”; em setembro, o quadro piora, com 48,2% de “Péssimo” e 16,1% de “Ruim”, enquanto “Ótimo” cai para 25% e “Bom” para 7,1%. Mesmo comparado aos meses mais críticos de 2020, o desempenho recente se aproxima do patamar de insatisfação visto no auge da pandemia, embora com um pouco mais de avaliações positivas do que naquele período.​

Temas campeões de reclamações

As avaliações por tema revelam onde as reclamações da prefeitura de São Paulo mais se concentram dentro do SP156. No tema “lixo e limpeza”, 38% das avaliações são “Péssimo” e 16,5% “Ruim”, o que significa que mais da metade dos usuários sai do atendimento totalmente ou muito insatisfeita; “Ótimo” aparece em 31,3% dos casos e “Bom” em apenas 7,1%. Em “rua e bairro”, o quadro é ainda mais duro: 46,1% de “Péssimo” e 19,4% de “Ruim”, com só 17,2% de “Ótimo” e 10,2% de “Bom”.​

Outro foco das reclamações está em “trânsito e transporte”. O tema reúne 34,5% de “Péssimo” e 15,9% de “Ruim”, contra 25,8% de “Ótimo” e 16% de “Bom”. A tabela por tema mostra ainda áreas com insatisfação concentrada em canais de controle e fiscalização: a “ouvidoria geral do município” tem 70,7% de avaliações “Péssimo” e 10,5% “Ruim”, enquanto “Ótimo” fica em 9% e “Bom” em 3%, sinalizando descrédito no órgão que deveria receber e encaminhar queixas.​

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Em contraste, alguns temas se distanciam do padrão. “Segurança urbana” registra 62,9% de “Ótimo” e 13,6% de “Bom”, com 12,1% de “Péssimo” e 7,1% de “Ruim”; em “saúde”, 51,7% das respostas são “Ótimo” e 18,7% “Bom”, contra 12,7% de “Péssimo” e 9,8% de “Ruim”. “Meio ambiente” aparece como um dos melhores temas gerais, com 75,7% de avaliações “Ótimo” e 15,7% “Bom”, enquanto as notas negativas somam menos de 9%.

Serviços com maior peso nas reclamações

Detalhando por serviços, as reclamações prefeitura de São Paulo ganham nome e sobrenome. Em “circulação e acesso de veículos e pessoas – solicitar avaliação”, metade das respostas são “Péssimo” (49%) e 22,9% “Ruim”, enquanto “Ótimo” aparece em 10,3% e “Bom” em 7,8%; é um dos serviços no qual a insatisfação é mais consolidada. Em “reformar galerias de águas de chuvas (pluviais)”, 58,8% das avaliações são “Péssimo” e 21,1% “Ruim”, somando 80% de reprovação contra apenas 8,3% de “Ótimo”.​

“Sinalização horizontal apagada (pintura de solo) – solicitar repintura”: 72,2% insatisfação

Entre os alvos clássicos das reclamações, “sinalização horizontal apagada (pintura de solo) – solicitar repintura” reúne 51,2% de “Péssimo” e 21% de “Ruim”, com só 9,5% de “Ótimo” e 7,5% de “Bom”. O serviço de “lixeiras públicas – solicitar instalação, manutenção ou limpeza” repete a mesma lógica: 38,2% de “Péssimo” e 16,6% de “Ruim”, contra 31,1% de “Ótimo” e 6,9% de “Bom”. Em “guias para travessia de pedestres – solicitar rebaixamento”, 67,9% das avaliações são “Péssimo” e 14,3% “Ruim”, com apenas 10,7% de “Ótimo”.​

Há ainda serviços diretamente ligados ao controle do próprio poder público entre as reclamações da Prefeitura de São Paulo. Em “denunciar ilegalidade na gestão pública”, 87,5% das avaliações são “Péssimo” e 4,2% “Ruim”; em “denunciar ilegalidade na gestão pública municipal”, 66,7% são “Péssimo” e 13,3% “Ruim”, com apenas 20% de “Ótimo”. Reclamações sobre conduta de agentes públicos também concentram notas baixas: “denunciar conduta inadequada de funcionário(a) público(a)” aparece com 90,6% de “Péssimo”.​

Em outro polo, alguns serviços conseguem atravessar o período de alta nas reclamações com índices robustos de aprovação. O “registro geral do animal (RGA) – solicitar identidade do animal” tem 59,5% de “Ótimo” e 11,1% “Bom”, com 13,1% de “Péssimo”; “arvore em área interna – comunicar poda à prefeitura” reúne 77,4% de “Ótimo” e 17% de “Bom”. Programas sociais também mostram desempenho elevado: “programa Cidade Solidária – prestar contas” registra 79,4% de “Ótimo” e 19,1% de “Bom”, quase sem notas negativas.​

Reclamações e a experiência com o atendimento

O cruzamento de “atendeu à solicitação” com satisfação ajuda a explicar a escalada das reclamações em 2025. Quando o munícipe afirma que a demanda foi atendida, 71% das avaliações são “Ótimo” e 23,5% “Bom”, com apenas 1% de “Péssimo” e 1,1% de “Ruim”; quando a resposta é que não foi atendida, 65,6% marcam “Péssimo” e 26,1% “Ruim”, enquanto “Ótimo” aparece em 0,6% e “Bom” em 1,6%. Entre os que dizem ter sido atendidos “parcialmente”, 38,7% classificam o serviço como “Razoável”, 20,7% como “Bom”, mas 18,9% como “Ruim” e 13,7% como “Péssimo”, o que mostra um grupo significativo de frustração intermediária.​

Na prática, as reclamações dirigidas ao SP156 funcionam como um espelho da capacidade de resposta do poder público. As áreas com piores indicadores – lixo, trânsito, drenagem, sinalização e fiscalização interna – são justamente aquelas em que a resolução depende de obras, contratos, equipes em campo e decisões de gestão urbana mais regulares. Quando a entrega é mais simples, como atualizar um cadastro, emitir um documento ou prestar um benefício já estruturado, a satisfação sobe e as queixas diminuem.​

2025 como síntese das reclamações

Na série histórica por ano, as reclamações fazem de 2025 um retrato concentrado dos gargalos acumulados desde 2020. Em 2020, “Péssimo” chega a 35,6% do total e “Ruim” a 11,1%, com “Ótimo” em 28,7%; o salto positivo em 2021 leva “Ótimo” a 53,7% e derruba “Péssimo” para 17,1%, sugerindo um momento de maior eficiência na relação entre demanda e resposta. A partir de 2022, contudo, o movimento se inverte: “Ótimo” recua para 43,6%, depois 39,6% em 2023 e 39,6% em 2024, enquanto “Péssimo” sobe gradualmente até atingir 35,8% em 2025, com “Ruim” em 17,7%.​

Esse desenho coloca as reclamações em um patamar mais alto em 2025 do que em 2022 e 2023, mesmo sem repetir o caos inicial da pandemia. Em agosto e setembro de 2025, a combinação de notas “Péssimo” e “Ruim” volta a superar as avaliações positivas, em um cenário parecido ao de meses críticos de 2020, mas agora motivado por problemas estruturais e crônicos mais do que por uma crise sanitária súbita. O resultado é um canal no qual a população continua recorrendo para cobrar soluções, mas com confiança menor na capacidade de o sistema transformar protocolos em mudanças visíveis nas ruas.

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