quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Queda de árvores e a falta de energia em SP

por Marco Antonio Portugal
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QUEDA DE ÁRVORE

Queda de árvores em São Paulo. O tema ganhou ainda mais força depois do vendaval recente, que derrubou ramos, interrompeu vias e alimentou a sensação de caos entre os moradores da cidade.​

Queda de árvores e falta de luz

A percepção de grande parte dos paulistanos é direta: árvore que cai em cima de fio significa bairro sem energia. As imagens de troncos sobre postes e cabos se espalharam por TV e redes sociais, reforçando essa associação imediata.​ O tema foi abordado em entrevista do prefeito Ricardo Nunes ao programa de TV Roda Viva, em 15/12/2025.

Na entrevista, que abordou esse e outros assuntos gerais, Ricardo Nunes reconhece essa sensação, mas afirma que ela não corresponde totalmente aos dados levantados pela Prefeitura. Segundo o prefeito, apenas cerca de 10% das unidades afetadas pela falta de luz tiveram relação com queda de árvores sobre a rede elétrica.​

O prefeito tenta separar as responsabilidades entre Prefeitura e concessionária de energia. De um lado, a gestão municipal cuida de poda, remoção e monitoramento das árvores; de outro, a empresa de energia deve garantir rapidez na recomposição do serviço quando ocorrem danos na fiação.​

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Nunes relata que, mesmo em dias sem chuva e sem vento, milhares de imóveis seguem sem energia, o que para ele demonstra que a maior parte dos problemas não decorre da queda de árvores, mas de falhas estruturais na rede. Ele cita episódios em que áreas comerciais ficaram mais de uma semana sem luz, sem qualquer relação com tempestades ou galhos sobre cabos.​

Queda de árvores e poda preventiva

Para tentar reduzir o risco de queda de árvores e seus impactos, a Prefeitura diz ter ampliado o trabalho preventivo. Segundo o prefeito, só neste ano foram feitas 13 mil remoções de árvores condenadas, além de 170 mil podas em diferentes regiões da cidade.​

As equipes responsáveis foram reforçadas em 30% em relação ao ano anterior, chegando a 162 frentes de trabalho. Nunes faz questão de frisar que se trata de “equipe de verdade”, com caminhões, vans, cerca de dez profissionais por grupo, engenheiro agrônomo e estrutura completa para operar motosserras e realizar intervenções seguras.​

O prefeito também contextualiza o problema das quedas de árvores no cenário de eventos climáticos extremos. Ele menciona ventos entre 90 e 98 quilômetros por hora registrados na cidade, lembrando a Escala de Beaufort, usada para medir a intensidade dos ventos.​ De acordo com essa escala, ventos nessa faixa são capazes de arrancar do solo até árvores sadias. Para Nunes, isso ajuda a explicar a dimensão do estrago em determinados episódios, mesmo quando a arborização está em condições regulares.​

As quedas de árvores costumam vir acompanhadas de outro problema típico de São Paulo: alagamentos e enchentes. Bueiros entupidos, córregos transbordando e ruas submersas aparecem como parte da mesma paisagem de tempestades intensas.​ No programa, o prefeito afirma que os indicadores de enchentes melhoraram, graças a obras de drenagem e construção de piscinões. Nunes cita oito reservatórios entregues, cinco em obras e outros cinco previstos em licitação, com investimentos de bilhões de reais em drenagem, canalização de córregos e contenção de encostas.​

Tecnologias de monitoramento

Para lidar melhor com o risco de queda e a manutenção da arborização, a Prefeitura diz ter investido em tecnologia. Nunes cita a contratação de um “sistema tecnológico” para fazer o inventário arbóreo da cidade.​

Veículos com câmeras percorrem as vias, escaneiam as árvores e analisam espécie, condição fitossanitária, inclinação e outros fatores que indicam necessidade de poda, corte ou substituição. A promessa é usar esses dados para planejar intervenções com mais critério e reduzir quedas inesperadas.​

Queda de árvores, bosques e polêmica na Lapa

A discussão sobre árvores não fica restrita às tempestades. Em um momento da entrevista, o prefeito é questionado sobre a derrubada de 118 árvores no Bosque dos Salesianos, na Lapa, que causou forte reação de moradores.​ Nunes afirma que, se dependesse de sua vontade pessoal, não autorizaria a supressão, mas lembra que a área é particular. Segundo ele, os proprietários atenderam toda a legislação, obtiveram parecer técnico da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e ganharam ação judicial que permite o empreendimento, condicionada à compensação ambiental.​

Em relação ao bosque, o prefeito diz que a empresa responsável terá de plantar “mil e poucas árvores” como compensação. Ele usa o caso para falar de uma política mais ampla de ampliação de áreas de mata pública.​

Nunes afirma que São Paulo já tem cerca de 15% do território em áreas de mata pública, considerando parques municipais, estaduais e terras indígenas. A meta, segundo ele, é chegar a 26% com um programa de desapropriações equivalente a 11% da área da cidade, comprando áreas particulares para transformá-las em parques e reservas.​

Queda de árvores, plantio e arborização da cidade

O prefeito também tenta contrapor as críticas ao corte de árvores com números de plantio. Ele afirma que a meta oficial era plantar 120 mil árvores no ano, mas o total efetivo chegou a 150 mil, em campanhas realizadas com a participação de secretarias e comunidades aos fins de semana.​

Conforme o inventário anterior, a cidade tem cerca de 650 mil árvores somente nas vias públicas, sem contar parques e áreas de reserva. Nunes sustenta que São Paulo é, sim, uma cidade arborizada, ainda que haja desigualdade regional na distribuição dessa vegetação.​

A relação entre quedas de árvores e interrupção de energia leva à discussão sobre o enterramento de fiação. A jornalista lembra que, em muitas cidades, o poder público bancou esse processo como forma de reduzir o impacto de tempestades.​ O prefeito diz que São Paulo tem apenas uma pequena parcela da rede subterrânea e explica por quê: o custo é considerado altíssimo. Só no trecho reformado da Avenida Santo Amaro, a Prefeitura pagou 24 milhões de reais à concessionária para enterrar os fios, e há obras projetadas com orçamentos no qual o enterramento chega perto do valor total da requalificação viária.​

Limites legais e futuro

Houve tentativa de obrigar a concessionária a enterrar a fiação por meio de uma lei municipal, mas a Justiça federal bloqueou essa iniciativa. Segundo a decisão mencionada por Nunes, concessionárias de energia estão submetidas apenas à legislação federal, o que limita o alcance de normas aprovadas pelo município.​

Diante desse cenário, a estratégia da Prefeitura tem sido aproveitar obras já previstas – como corredores de ônibus e grandes avenidas – para embutir a rede onde for possível. Ao mesmo tempo, segue a aposta em poda preventiva, uso de tecnologia e ampliação de áreas verdes para tentar equilibrar segurança, arborização e custo fiscal em uma cidade que convive com quedas de árvores como parte do seu novo normal climático.​

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