Protestos contra Trump ecoaram por todo os Estados Unidos neste sábado, 18 de outubro de 2025, em uma das principais mobilizações populares desde o retorno do ex-presidente à Casa Branca. Milhões de americanos foram às ruas em mais de 2.600 cidades, sob o lema “No Kings” (Sem Reis), expressando sua insatisfação com as políticas e a conduta do governo. Esta onda de protestos contra Trump não se limitou às fronteiras americanas, com manifestações de solidariedade ocorrendo também em cidades da Europa e do Canadá.
A dimensão dos protestos contra Trump
A magnitude dos protestos contra Trump neste sábado foi notável. Organizadores estimaram que mais de 2.600 manifestações aconteceram em todo o território americano, superando as 2.100 cidades que participaram de uma mobilização anterior em junho, que reuniu cerca de cinco milhões de pessoas. Em Nova York, por exemplo, mais de 100 mil manifestantes lotaram a Times Square e mais de 40 quarteirões de uma das principais avenidas da cidade. Outras grandes concentrações foram registradas em Washington, Chicago, Miami, Los Angeles, Boston, Filadélfia e Atlanta.
O movimento “No Kings” enfatiza a não-violência como princípio central, e os relatos indicam que os protestos contra Trump foram, na maioria, pacíficos. A polícia de Nova York confirmou a natureza ordeira da marcha, sem registro de prisões na cidade. No entanto, a expectativa de possíveis conflitos levou governadores republicanos, como Greg Abbott do Texas e Glenn Youngkin da Virgínia, a colocarem a Guarda Nacional de prontidão, uma medida criticada por democratas como Gene Wu, que a classificou como uma ação típica de “reis e ditadores”.
As pautas e as vozes dos manifestantes
As pautas dos protestos contra Trump foram diversas, mas convergiram na crítica ao que os manifestantes consideram uma guinada autoritária do governo. O lema “No Kings” faz uma clara alusão ao rei George III, que governava a Grã-Bretanha na época da independência dos Estados Unidos, e acusa Trump de agir como um monarca absoluto. Entre as principais preocupações levantadas estavam:
Publicidade
- Cortes nas verbas da saúde, que teriam contribuído para a paralisação do governo federal (shutdown).
- A paralisação do governo federal, que já durava 18 dias.
- Pressão sobre universidades para se submeterem ao governo federal.
- Perseguição judicial a adversários políticos de Trump.
- Repressão à imigração, com prisões e deportações.
- Implementação de tarifas abrangentes a outros países.
- Envio de tropas da Guarda Nacional para cidades, apesar das objeções de governadores estaduais.
Manifestantes como Beth Zasloff, escritora e editora freelancer, expressaram indignação com o que chamaram de “movimento em direção ao fascismo e a um governo autoritário”. Massimo Mascoli, um engenheiro eletrônico aposentado de 68 anos, comparou a situação atual dos EUA ao caminho percorrido pela Itália no século passado, temendo o ressurgimento do fascismo. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer (democrata de Nova York), também se juntou aos protestos, afirmando que “não temos ditadores nos Estados Unidos”. Celebridades como Robert De Niro, Jane Fonda, Kerry Washington, John Legend, Alan Cumming e John Leguizamo também manifestaram apoio ao movimento.
A resposta do governo americano e as repercussões
O governo americano, por meio de aliados republicanos, reagiu aos protestos contra Trump acusando os manifestantes de estarem alinhados com o movimento de extrema-esquerda Antifa e de promoverem um “ódio à América”. Houve alegações, sem provas, de que os participantes estariam sendo pagos para protestar. O próprio presidente Trump abordou as manifestações em uma entrevista à Fox News, negando as acusações de que estaria agindo como um rei: “Um rei! Isso não é uma encenação. Sabe, eles estão se referindo a mim como um rei. Eu não sou um rei”.
As repercussões desses protestos contra Trump são significativas. Embora os manifestantes reconheçam que não esperam uma mudança imediata na direção do governo, eles acreditam que a mobilização pode influenciar as próximas eleições para o Congresso. A polarização política no país se aprofunda, e a resposta do governo, com a mobilização da Guarda Nacional em alguns estados, demonstra a tensão existente.
O que esperar nos próximos dias
Nos próximos dias, a atenção estará voltada para a continuidade das discussões sobre as pautas levantadas pelos protestos contra Trump, especialmente a paralisação do governo federal e as políticas de imigração e saúde. A mobilização em massa sugere que o movimento “No Kings” pode se manter ativo, exercendo pressão sobre o cenário político americano. A proximidade das eleições para o Congresso intensificará o debate público e a retórica política, com ambos os lados buscando capitalizar o sentimento popular. A forma como o governo e a oposição lidarão com as demandas e as tensões geradas pelos protestos será crucial para os desdobramentos futuros na política dos EUA.

