quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Paralisação do Governo EUA mais longa da história

por Marco Antonio Portugal
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PARALISAÇÃO

A paralisação do governo americano, conhecida como shutdown, entrou em um território inédito ao se tornar a mais longa da história dos EUA, superando a marca de 35 dias do impasse anterior, ocorrido entre 2018 e 2019. Ou seja, o presidente Donald Trump bateu seu próprio recorde, ao ultrapassar a marca de paralisação que promoveu em seu primeiro mandato presidencial. O fechamento atual do governo federal começou em 1º de outubro, após o Congresso não conseguir chegar a um acordo sobre a legislação de gastos, mergulhando o país em uma crise que afeta desde a segurança aérea até a assistência alimentar.

A situação é marcada por uma intensa polarização política. Enquanto o Presidente Donald Trump pressiona os Republicanos no Senado a eliminar o filibuster, uma regra que exige 60 votos para aprovar a maioria das leis, a fim de aprovar uma lei de financiamento sem o apoio Democrata, os Democratas utilizam o impasse como alavanca para negociar a extensão dos subsídios do Affordable Care Act (ACA), que expiram no final do ano. O Presidente Trump tem culpado publicamente os Democratas pelo impasse, afirmando que não será “extorquido” por eles.

O Preço Humano e a Crise dos Trabalhadores Federais

O impacto mais imediato e doloroso da paralisação do governo americano recai sobre os trabalhadores federais. Mais de um milhão de funcionários públicos foram afetados, sendo que cerca de 600.000 foram dispensados (furloughed) e centenas de milhares de outros foram designados como “essenciais” e obrigados a trabalhar sem receber seus salários.

Muitos desses trabalhadores, que dependem de seus salários para pagar hipotecas e contas básicas, estão enfrentando dificuldades financeiras extremas, sendo forçados a recorrer a bancos de alimentos e a buscar empregos temporários para sobreviver. Embora uma lei de 2019 garanta o pagamento retroativo (backpay) após o fim do shutdown, comentários recentes do Presidente Trump geraram incerteza e preocupação entre os funcionários sobre se essa promessa será cumprida desta vez.

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O Risco Iminente à Segurança e aos Serviços Públicos

A prolongada paralisação do governo americano está corroendo a capacidade do país de manter serviços públicos essenciais e seguros. Um dos setores mais críticos afetados é o transporte aéreo. A escassez de pessoal no controle de tráfego aéreo, sob a responsabilidade da Federal Aviation Administration (FAA), tem causado atrasos significativos em grandes hubs de aviação.

Em uma medida drástica que sublinha a gravidade da situação, a FAA anunciou planos para cortar 10% do tráfego aéreo em 40 aeroportos se o shutdown não for resolvido rapidamente. Além disso, a paralisação afeta:

  • Serviços Fiscais: O Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal americana, dispensou quase metade de sua equipe, resultando em atrasos no processamento de declarações e na prestação de serviços ao contribuinte.
  • Assistência Social: Programas vitais como o Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), que fornece auxílio alimentar (algo parecido ao Bolsa Família no Brasil), e o Head Start, que oferece educação infantil para famílias de baixa renda, estão com pagamentos atrasados ou reduzidos, afetando a população mais vulnerável.
  • Cultura e Lazer: Parques Nacionais e os renomados museus Smithsonian estão fechados ou operando com serviços mínimos, privando o público de acesso e colocando em risco a manutenção dessas instalações e o turismo.

O Prejuízo Bilionário para a Economia

A crise política se traduz diretamente em perdas econômicas substanciais. O Congressional Budget Office (CBO) estimou que o custo total do primeiro mês da paralisação do governo americano para a economia do país está entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões.

Economistas alertam que o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) é progressivo. Para cada semana que o shutdown se arrasta, o crescimento anual do PIB pode ser reduzido em 0,1 a 0,2 pontos percentuais. A paralisação anterior, em 2018-2019, resultou em uma perda estimada de US$ 3 bilhões no PIB, um número que o shutdown atual já superou em termos de custo total.

O Agravamento e as Consequências de uma Solução Tardia

Se a paralisação do governo americano persistir, as consequências podem se agravar de forma exponencial. A ameaça de cortes no tráfego aéreo não é apenas uma questão de conveniência, mas um risco potencial à segurança. A interrupção prolongada de benefícios sociais pode levar a uma crise humanitária em comunidades de baixa renda.

O risco mais grave, no entanto, é a crise de confiança na capacidade de governar. A inação contínua do Congresso e da Casa Branca em resolver a questão do financiamento mina a credibilidade das instituições democráticas. Além disso, a falta de acordo pode levar à expiração dos subsídios do ACA, deixando milhões de americanos sem seguro saúde, um agravamento que os Democratas tentam evitar a todo custo.

A solução para a crise exige um compromisso bipartidário que, até o momento, parece distante. Enquanto a disputa política se arrasta, o custo financeiro e humano da paralisação do governo americano continua a aumentar, com a população pagando o preço mais alto pela disfunção em Washington.

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