A pandemia de Covid-19 não somente transformou rotinas, economias e sistemas de saúde — ela também abriu espaço para a inserção definitiva da inteligência artificial (IA) no cotidiano. O que antes avançava em ritmo gradual ganhou velocidade inédita a partir de 2020, impulsionado pela necessidade de manter serviços funcionando em meio a lockdowns e restrições.
Com a súbita migração para o digital, empresas, governos e consumidores passaram a depender de ferramentas automáticas em escala nunca vista. Chatbots assumiram parte do atendimento ao público, sistemas de IA organizaram cadeias logísticas pressionadas pela crise e algoritmos passaram a orientar decisões em setores como varejo, transporte e finanças. No campo da saúde, modelos preditivos ajudaram a monitorar surtos, enquanto plataformas de telemedicina adotaram triagem automatizada para lidar com o aumento da demanda.
Especialistas destacam que a pandemia criou um ambiente de aceitação social que facilitou a adoção de tecnologias antes tratadas com reserva. Ferramentas de rastreamento digital, monitoramento populacional e análise massiva de dados — medidas justificadas pela emergência sanitária — acabaram normalizadas e permaneceram após o fim da crise.
O período também marcou um salto na pesquisa científica. A corrida global por vacinas impulsionou técnicas de IA aplicadas a análises genômicas e descoberta de fármacos, abrindo caminho para o uso desses avanços em outros setores. Paralelamente, o crescimento das big techs durante o isolamento consolidou investimentos bilionários em sistemas de IA generativa, que hoje moldam desde o consumo de informação até a produção de conteúdo.
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Para analistas, a Covid-19 funcionou como um “acelerador histórico”. Não criou a inteligência artificial do cotidiano, mas tornou inevitável sua presença. Ao transformar o digital em eixo central da vida social e econômica, a pandemia pavimentou o terreno para uma nova fase tecnológica — mais automatizada, algorítmica e integrada às atividades diárias.

