Guerra EUA-Israel-Irã iniciou em 28 de fevereiro de 2026, quando Washington e Tel Aviv lançaram ataques coordenados contra alvos militares, nucleares e de comando no Irã, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei. As primeiras ondas de bombardeios atingiram centros de comando, instalações ligadas ao programa nuclear e estruturas da Guarda Revolucionária, numa operação descrita como a maior mobilização militar americana no Oriente Médio desde 2003.
Teerã respondeu disparando mísseis contra Israel e contra bases dos EUA em países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait, o que rapidamente transformou a guerra EUA-Israel-Irã em um conflito regional. Milícias aliadas ao Irã, como o Hezbollah no Líbano e grupos armados na Síria e no Iraque, também passaram a atacar alvos israelenses e americanos, ampliando o tabuleiro de risco.
Já nos primeiros dias, analistas e governos admitiram que ainda é impossível prever os rumos da guerra EUA-Israel-Irã, apesar da clara superioridade aérea dos EUA e de Israel sobre grande parte do território iraniano. Esse grau de incerteza é o pano de fundo para a forte divergência entre especialistas sobre a duração do conflito e sobre o risco de ele transbordar para além do Oriente Médio.
Líderes prometem guerra curta, mas objetivos são amplos
Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a guerra EUA-Israel-Irã “não vai levar anos” e que espera uma campanha “rápida”, enquanto intensifica ataques a posições do Hezbollah no Líbano. Donald Trump falou inicialmente em quatro a cinco semanas de operações, em linha com a memória de campanhas relâmpago anteriores, mas depois passou a admitir a possibilidade de um engajamento mais longo.
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Ao mesmo tempo, integrantes do governo americano e analistas próximos à Casa Branca deixam claro que os objetivos não são apenas destruir mísseis ou instalações específicas, mas enfraquecer estruturalmente o regime iraniano e, em alguns discursos, abrir caminho para uma mudança de governo. Think tanks em Washington descrevem a operação como uma “guerra de duração indefinida, sem um fim claramente articulado”, que aposta na força militar para produzir um rearranjo político interno em Teerã, algo que raramente se resolve em poucas semanas.
Para parte dos especialistas europeus, como os do Chatham House, esse desenho faz com que a guerra EUA-Israel-Irã seja percebida em Teerã como um conflito existencial, o que reduz a probabilidade de uma solução curta e negociada. Na visão desses analistas, quando a sobrevivência do regime entra em jogo, o incentivo é expandir e prolongar a confrontação como forma de elevar o custo político para americanos e israelenses.
Divergência central: qual é, de fato, o fim da guerra?
Um dos motivos centrais da divergência entre analistas está na leitura sobre o “fim de jogo” da guerra EUA-Israel-Irã. Parte dos especialistas acredita que Washington e Tel Aviv buscam um objetivo limitado: degradar a capacidade nuclear, balística e de projeção regional do Irã a ponto de forçar um novo acordo, ainda que sob trauma.
Outro grupo, porém, enxerga na operação sinais claros de uma estratégia de mudança de regime, com ataques a lideranças, centros de poder e símbolos do Estado iraniano, o que tende a alongar o conflito e aumentar o risco de colapso interno caótico. Para esses analistas, a combinação entre “decapitação” da liderança e apelos públicos de Trump e Netanyahu para que os iranianos “tomem seu país” aponta para uma guerra aberta de resultado imprevisível no plano doméstico.
Quando o objetivo é limitado e negociável, especialistas tendem a apostar em uma duração mais curta, ainda que dolorosa, seguida de uma trégua frágil. Quando o objetivo envolve a própria natureza do regime, outros analistas projetam um conflito prolongado, com fases de alta e baixa intensidade e forte espaço para radicalização, como já alertam relatórios de centros como Atlantic Council e Crisis Group.
Capacidade de resistência iraniana e papel das redes de aliados
Outro ponto no qual os especialistas divergem diz respeito à capacidade de resistência do Irã e das redes que orbitam Teerã. Há analistas que enfatizam o desgaste do regime após anos de sanções, protestos internos e confrontos indiretos, sugerindo que o país teria pouca margem para sustentar uma guerra longa de alta intensidade.
Por outro lado, estudos de think tanks e centros de dados de conflitos lembram que o Irã construiu ao longo de décadas uma teia de aliados armados – do Hezbollah no Líbano aos Houthis no Iêmen, passando por milícias no Iraque e na Síria – capaz de manter pressão contínua sobre interesses americanos e israelenses mesmo se a infraestrutura doméstica estiver severamente danificada. Essa visão reforça cenários de escalada lenta e difusa, com ataques a navios, bases e infraestrutura energética muito além das fronteiras iranianas.
A própria resposta inicial de Teerã, atingindo Israel e bases dos EUA em pelo menos seis países, é citada por analistas que preveem um conflito de longa duração e de alcance ampliado, à medida que Teerã tenta mostrar que qualquer tentativa de mudá-lo pela força terá custo global. Para esse grupo, a guerra EUA-Israel-Irã já nasceu com lógica de “externalizar” a crise, e não de contê-la geograficamente.
Estrutura militar da guerra EUA-Israel-Irã e debate sobre escalada
Do ponto de vista militar, uma parte dos especialistas aposta que a guerra EUA-Israel-Irã tende a permanecer centrada em ataques aéreos, mísseis de cruzeiro e drones, sem entrada de grandes contingentes de tropas em solo. Nessa leitura, o custo político e humano de uma invasão terrestre ao estilo do Iraque de 2003 seria tão alto que Trump e Netanyahu evitariam cruzar essa linha, o que limitaria o grau de escalada e, em tese, o tempo do conflito.
Outros, porém, chamam atenção para as próprias declarações de autoridades americanas, que deixam em aberto a opção de enviar tropas, caso os objetivos declarados – como desmantelar a capacidade de mísseis e enfraquecer o regime – não sejam alcançados por meios aéreos. Para esses analistas, abrir a porta a uma possível campanha terrestre significa assumir o risco de uma guerra longa, difícil de controlar e com potencial para arrastar vizinhos e grandes potências.
Relatórios de instituições como Atlantic Council e Chatham House alertam ainda para o perigo de uma campanha “prolongada e sem mecanismo claro de término”, em que sucessivas rodadas de ataques e retaliações não produzem mudança interna decisiva no Irã, mas mantêm o nível de violência alto e o risco de incidentes envolvendo Rússia, China ou forças da Otan. Nessas leituras, a própria falta de um plano de saída consensual alimenta previsões mais pessimistas tanto sobre a duração quanto sobre a possibilidade de a guerra EUA-Israel-Irã ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio.
Energia, grandes potências e o custo de uma guerra que “vaza”
Analistas de economia e energia pesam de forma distinta o impacto da guerra EUA-Israel-Irã sobre o mercado global de petróleo e gás, o que também afeta suas projeções de escalada. Especialistas alertam que o simples risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa parcela importante do petróleo mundial, já é suficiente para gerar forte volatilidade e pressionar o crescimento global.
Alguns acreditam que essa interdependência energética funciona como freio à escalada, pois tanto EUA quanto Irã, China, Europa e produtores do Golfo teriam incentivos econômicos para evitar uma ruptura prolongada no fluxo de petróleo. Outros avaliam que, em cenários de guerra existencial, considerações econômicas podem ser rebaixadas e que o uso da energia como arma – seja por ameaças iranianas, seja por sanções ocidentais – aumenta a chance de o conflito irradiar choques para a Europa, Ásia e América Latina.
A postura de Rússia e China é outro fator que divide especialistas sobre o risco de transbordamento da guerra EUA-Israel-Irã. Há quem veja Moscou e Pequim atuando com cautela, condenando a operação, mas evitando um confronto direto com Washington, o que reduziria o risco de uma guerra de grandes potências. Outros lembram que o alinhamento estratégico Rússia-Irã, fortalecido pelas sanções ocidentais, e o interesse chinês em garantir acesso estável à energia podem levar a respostas mais assertivas em fóruns diplomáticos e eventualmente no campo militar, caso a escalada atinja certos limites.
Por que a previsão é tão difícil – e por que a divergência vai continuar
Por trás da divergência em torno da guerra EUA-Israel-Irã está, em grande parte, o contraste entre a retórica de “guerra rápida” de líderes políticos e a avaliação mais cautelosa de centros de pesquisa que enxergam objetivos amplos, múltiplos atores armados e uma região já saturada por outras crises. A memória de conflitos recentes, como a “Guerra dos 12 dias” de 2025, alimenta parte do otimismo sobre uma possível campanha curta, mas analistas que estudam o Irã há décadas lembram que o cenário atual é mais profundo e mais carregado de simbolismo interno.
Instituições de monitoramento de conflitos, como o ACLED e o Crisis Group, apontam que a combinação de ataques a centros de poder iranianos, retaliações em múltiplos países e tensão em fronteiras frágeis aumenta tanto o risco de colapso local quanto o de incidentes que arrastem novos atores à guerra EUA-Israel-Irã. Ao mesmo tempo, órgãos como o Conselho de Relações Exteriores reforçam não haver data final nem parâmetros públicos claros que determinem o encerramento da campanha americana e israelense.
Na prática, analistas partem de pressupostos diferentes sobre os limites políticos de Trump e Netanyahu, a coesão e a resiliência do regime iraniano, a disposição de China e Rússia em se envolver mais diretamente e o grau de risco que o mercado de energia está disposto a tolerar. Enquanto essas variáveis permanecerem em aberto, a guerra EUA-Israel-Irã continuará a produzir cenários opostos: de um lado, o retrato de uma operação controlável e regional; de outro, o temor de uma guerra longa, de fronteiras porosas e impacto global.

