quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Geopolítica Imperialista dos EUA: Ameaças e Blefes Estratégicos

por Maria Gabriela Portugal
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GEOPOLÍTICA

A Geopolítica dos EUA nunca foi tão contrubada. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026 não foi um episódio isolado. Foi a demonstração mais dramática de uma mudança radical na política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump, que agora ameaça abertamente intervir na Venezuela, Colômbia, México, Cuba e até anexar a Groenlândia. Mas até onde essas declarações representam planos concretos, táticas de negociação ou ameaças vazias? Uma investigação com base em fontes internacionais confiáveis revela um padrão complexo que mescla ação militar real, pressão econômica calculada e retórica expansionista sem precedentes no século XXI.

Venezuela: A Ameaça que se Tornou Realidade

A operação militar americana em Caracas no sábado, 3 de janeiro, não deixa dúvidas sobre a disposição do governo Trump em agir. Forças especiais dos EUA capturaram Maduro e sua esposa Cilia Flores em sua residência fortificada e os transportaram para Nova York, onde enfrentam acusações de narcotráfico e narcoterrorismo. O presidente americano declarou que os Estados Unidos vão “administrar” a Venezuela indefinidamente, assumindo controle sobre as vendas de petróleo do país – que possui as maiores reservas mundiais do recurso.​

A Casa Branca já iniciou a comercialização de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano nos mercados internacionais, com receitas depositadas em contas controladas pelos EUA. O secretário de Estado Marco Rubio delineou uma estratégia em três fases: primeiro, controlar as vendas de petróleo; segundo, permitir que empresas americanas acessem o mercado venezuelano; e terceiro, promover uma transição política ainda não definida.​

Esta é uma intervenção real, em curso, com empresas petrolíferas americanas, incluindo gigantes como Chevron e Repsol, já programadas para reuniões na Casa Branca para discutir o controle da infraestrutura energética venezuelana. A administração Trump justifica suas ações invocando leis domésticas dos EUA e classificando cartéis de drogas como “combatentes ilegais”, alegando que o tráfico de narcóticos constitui um “ataque armado” que autoriza autodefesa sob o Artigo 51 da Carta da ONU.​

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No entanto, especialistas em direito internacional de instituições europeias, asiáticas e americanas são unânimes: a operação viola claramente o Artigo 2(4) da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de Estados soberanos. Como explicou Christoph Safferling, da Universidade de Erlangen-Nuremberg, “os EUA violaram a proibição do uso da força sob o direito internacional”. Margaret Satterthwaite, relatora especial da ONU, enfatizou que “um país não pode impor suas leis no território de outro Estado sem o consentimento desse Estado”.​

Groenlândia: Entre Ambição Geopolítica e Crise na OTAN

A ameaça sobre a Groenlândia representa um desafio sem precedentes para a aliança atlântica. A Casa Branca confirmou que Trump e sua equipe de segurança nacional estão “discutindo uma variedade de opções” para adquirir o território dinamarquês, e a porta-voz Karoline Leavitt foi explícita: “utilizar as forças armadas dos EUA é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”.​

Trump argumenta que a Groenlândia é essencial para a segurança nacional americana, citando a presença de navios russos e chineses no Ártico e a posição estratégica da ilha para sistemas de defesa antimísseis. A administração até discute oferecer pagamentos diretos substanciais aos 57 mil habitantes da Groenlândia para convencê-los da anexação.​

A reação europeia foi severa e coordenada. A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen advertiu que qualquer ataque militar americano à Groenlândia “acabaria com tudo” – incluindo a OTAN e a segurança transatlântica estabelecida desde a Segunda Guerra Mundial. Líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido emitiram declaração conjunta afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas a Dinamarca e a Groenlândia podem decidir sobre seus assuntos.​

A Dinamarca respondeu concretamente, anunciando investimento de 88 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de US$ 13,8 bilhões) para reforçar a defesa da Groenlândia. Pesquisas mostram que a maioria dos groenlandeses se opõe à anexação, embora 43% vejam Trump como uma “oportunidade” econômica.​

Especialistas avaliam que, embora os EUA tenham capacidade militar para tomar a Groenlândia rapidamente, as consequências políticas seriam catastróficas. Edward R. Arnold, do Royal United Services Institute britânico, expressou ceticismo de que forças europeias realmente combateriam tropas americanas, mas observou que tal ação destruiria a OTAN. Analistas de segurança dinamarqueses também questionam a narrativa de Trump sobre navios chineses e russos “por toda parte” na Groenlândia, afirmando que a presença naval de ambos os países no Ártico está muito distante do território.​

Colômbia, México e Cuba: Gradações de Ameaça

Colômbia: O Próximo Alvo?

As ameaças contra a Colômbia são diretas e personalizadas. Trump chamou o presidente Gustavo Petro de “homem doente que gosta de produzir cocaína” e, quando perguntado sobre uma possível operação militar, respondeu: “parece bom para mim”. Dias depois, afirmou explicitamente: “ele vai ser o próximo”.​

A administração Trump já impôs sanções a Petro e sua família em outubro de 2025, acusando-os de ligações com o tráfico global de drogas. A tensão escalou após a captura de Maduro, com Petro condenando veementemente a operação como “abominável” e ameaçando “pegar em armas novamente” caso os EUA ataquem a Colômbia. O presidente colombiano, ex-guerrilheiro em sua juventude, alertou que uma operação militar “despertaria a onça” da resistência popular.​

Curiosamente, após dias de ameaças, Trump convidou Petro para uma reunião na Casa Branca. Esta mudança abrupta ilustra o padrão errático da diplomacia trumpista, mas não elimina o risco. A Colômbia faz fronteira com a Venezuela, e especialistas alertam que uma intervenção militar desestabilizaria ainda mais a região.​

México: Cooperação Forçada

Com o México, Trump adota tom mais calculado. Embora tenha dito que “algo terá que ser feito com o México” e oferecido envio de tropas para combater cartéis, a presidente Claudia Sheinbaum rejeitou firmemente qualquer intervenção militar. Sheinbaum mantém equilíbrio delicado, reafirmando soberania mexicana – “cooperação sim, subordinação e intervenção não” – enquanto faz concessões em imigração e segurança.​

O México é vizinho direto dos EUA e seu segundo maior parceiro comercial, tornando intervenção militar improvável mas não impossível. Analistas observam que as ameaças de Trump devem ser levadas a sério após a Venezuela, mas que Sheinbaum está “equilibrando-se em uma corda cada vez mais fina”.

Cuba: Colapso Calculado

Para Cuba, a estratégia é de asfixia econômica, não militar. Trump declarou que “Cuba parece pronta para cair” e que não vê necessidade de intervenção militar. A perda do petróleo venezuelano – que representava 70% das importações energéticas cubanas – agrava dramaticamente a crise na ilha. O secretário Rubio, filho de imigrantes cubanos, deixou claro: “se eu morasse em Havana e estivesse no governo, estaria preocupado”.​

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel respondeu denunciando os EUA como “Estado terrorista fascista”, mas a realidade econômica do país é desesperadora. Especialistas como Bert Hoffmann avaliam que Cuba tem mais a perder com a intervenção na Venezuela, e a crise energética só vai piorar.

A “Doutrina Donroe”: Novo Imperialismo ou Velha Política?

Trump cunhou o termo “Doutrina Donroe” – uma versão turbinada da Doutrina Monroe de 1823, que estabelecia o hemisfério ocidental como esfera de influência americana. “A Doutrina Monroe é importante, mas nós a superamos muito, muito mesmo”, declarou Trump, acrescentando que “a dominância americana no hemisfério ocidental nunca mais será questionada”.​

Historiadores observam que o atual intervencionismo americano na América Latina não é excepcional na história dos EUA – o excepcional foram os últimos 35 anos de relativa contenção após a Guerra Fria. Brian Winter, analista da Americas Quarterly, nota que “no amplo arco da história, é notável quão não-excepcional isso é. O período excepcional foram os últimos 35 anos seguindo o fim da Guerra Fria”.

Entre 1898 e 1994, historiadores contabilizam ao menos 41 intervenções bem-sucedidas dos EUA para mudar governos na América Latina. A captura de Maduro ocorreu no 36º aniversário da prisão de Manuel Noriega no Panamá, outro ditador preso sob acusações de narcotráfico.​

Reações Globais: Divisão e Oportunismo

América Latina Dividida

A região está profundamente dividida. Brasil, México, Colômbia, Chile, Espanha e Uruguai – todos governados por esquerdistas – emitiram declaração conjunta condenando as ações americanas como “precedente extremamente perigoso” e alertando contra tentativas de apropriação externa de recursos naturais venezuelanos.​

O presidente brasileiro Lula da Silva foi particularmente contundente, afirmando que as ações dos EUA “cruzam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta muito grave à soberania da Venezuela”. O México, apesar de mais cauteloso por sua proximidade geográfica, também condenou a operação como violação da Carta da ONU.​

Em contraste, o presidente argentino Javier Milei aplaudiu entusiasticamente a captura de Maduro, declarando: “não há meio termo aqui. Ou você está do lado da LIBERDADE ou está do lado do MAL”. Na reunião emergencial da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), um bloco de países de direita – Argentina, Paraguai, Peru, Equador, El Salvador, Panamá, República Dominicana e Trinidad e Tobago – bloqueou consenso para condenação conjunta.​

Pesquisa realizada por instituto mexicano mostra que, apesar das condenações oficiais de governos esquerdistas, a população de vários países latino-americanos apoia majoritariamente a remoção de Maduro: Costa Rica (87%), Chile (78%), Colômbia (77%), Panamá (76%) e Peru (74%). O México foi o único país onde apenas uma pluralidade, não maioria, apoiou a prisão (43% a favor, 42% contra).

Europa: Solidariedade com Limites

A União Europeia e seus Estados-membros expressaram preocupação com a violação do direito internacional. O ministro francês Jean-Noël Barrot advertiu que “o crescente número de violações deste princípio por nações com responsabilidades significativas como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU terá consequências terríveis para a segurança global”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou que “integridade territorial e soberania são princípios fundamentais do direito internacional”. Porém, a diplomata chefe da UE, Kaja Kallas, embora condenando a violação da lei internacional, também observou que Maduro carece de legitimidade e defendeu transição pacífica do poder.​

A posição europeia sobre a Venezuela é complicada pelo fato de que o bloco também não reconhece a legitimidade da reeleição de Maduro em 2024. Quanto à Groenlândia, a solidariedade é inequívoca e coordenada, refletindo que uma agressão americana a um membro da OTAN representaria ameaça existencial à aliança.​

Rússia e China: Condenação Cautelosa

Tanto Rússia quanto China condenaram a operação na Venezuela, mas de forma notavelmente contida. Na reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador russo Vasily Nebenzya denunciou a ação como “regressão à era da lei da selva”, enquanto o ministro chinês Wang Yi afirmou que nenhum país pode “agir como polícia do mundo”.​

No entanto, Vladimir Putin permaneceu visivelmente silencioso, evitando provocar Trump. Especialistas identificam cálculo estratégico: tanto Moscou quanto Pequim avaliam que antagonizar Trump pode trazer repercussões mais graves em questões que consideram prioritárias.​

Para a China, prioridades incluem alívio de restrições comerciais americanas e maior liberdade no Mar do Sul da China. Após sobreviver a um potencial conflito comercial devastador com os EUA no início de 2025, a China obteve trégua de um ano com Trump em outubro e acesso a tecnologia americana de semicondutores em dezembro. O presidente Xi Jinping está programado para receber Trump em Pequim em abril.

Ryan Hass, da Brookings Institution e ex-diretor para China no Conselho de Segurança Nacional durante o governo Obama, observa que a queda de Maduro pode até beneficiar Pequim: mais recursos militares americanos focados na América Latina significam menos pressão na Ásia, e o aumento prometido na produção de petróleo venezuelano beneficia a China, maior importadora global de combustíveis fósseis.

Para a Rússia, que formalizou uma “parceria estratégica” com a Venezuela apenas em outubro de 2025, a perda de influência é significativa. Mas Moscou também avalia que há pouco que poderia ter feito para impedir Trump, e prefere não arriscar sua relação com o presidente americano em questões mais importantes, particularmente na Ucrânia. O ex-presidente russo Dmitri Medvedev até expressou admiração velada pela abordagem agressiva de Trump na defesa dos interesses nacionais americanos.​

Especialistas alertam para consequência mais preocupante: o precedente estabelecido pode encorajar Rússia e China a perseguir mais agressivamente suas próprias ambições territoriais. Fiona Hill, da Brookings Institution e ex-diretora sênior para Europa e Rússia na Casa Branca durante o primeiro governo Trump, questiona: “se temos o direito de ser agressivos em nosso próprio quintal, por que eles não podem?”​

Credibilidade e Imprevisibilidade: A Dupla Face da Estratégia Trump

Um dos maiores desafios em avaliar as intenções de Trump é seu histórico comprovado de fazer ameaças que não cumpre. Análise detalhada de suas 40 anos de negociações empresariais revela padrão consistente de ameaças vazias. Como observou especialista em negociação Marty Latz, “essa falta de credibilidade e acompanhamento de ameaças é tóxica para o impacto de ameaças futuras de Trump”.​

Pesquisa com 500 especialistas em relações internacionais conduzida em junho de 2025 revelou avaliação esmagadoramente negativa da política externa de Trump: 96% acreditam que os EUA são menos respeitados globalmente, e 93% reprovam sua condução da situação Rússia-Ucrânia. Especialistas concluíram que as escolhas de política externa de Trump tornaram os Estados Unidos menos seguros, menos respeitados e menos capazes de alcançar seus objetivos no cenário global.

No entanto, a Venezuela demonstra que Trump está disposto a agir – pelo menos em algumas situações. Como observou Daniel Drezner, da Brookings Institution: “Trump não é isolacionista – ele é um mercantilista que prefere usar a força neste hemisfério”. A operação na Venezuela serve como “prova de conceito” para a abordagem muscular e não-convencional de Trump à política externa, reforçando a credibilidade de suas ameaças.​

O resultado é ambiente de incerteza estratégica onde governos estrangeiros devem avaliar cada ameaça individualmente, pesando o histórico de blefes de Trump contra sua demonstrada disposição ocasional para ação militar súbita e dramática.

O Que Esperar nos Próximos Meses

Cenário Imediato (Janeiro-Março 2026)

Venezuela: A administração Trump já está comercializando petróleo venezuelano nos mercados internacionais, com planos de vender inicialmente 30 a 50 milhões de barris. O Departamento de Energia americano trabalha com grandes bancos e empresas de commodities para facilitar as vendas. A situação permanece volátil, com risco de vácuo de poder, violência entre grupos armados e crise humanitária – paralelos preocupantes com Iraque e Líbia após intervenções americanas.​

Groenlândia: Trump mencionou especificamente “discutir a Groenlândia em 20 dias” no início de janeiro, sugerindo movimento concreto previsto para o final do mês. O secretário Rubio está programado para reunir-se com representantes dinamarqueses e groenlandeses. A administração pode fazer oferta formal de compra, possivelmente incluindo proposta de pagamentos diretos aos groenlandeses. A Dinamarca já deixou claro que o território não está à venda, mas pode buscar acordo que expanda presença militar e econômica americana na Groenlândia sem ceder soberania.​

Colômbia: Reunião entre Trump e Petro está agendada na Casa Branca após semanas de ameaças e contra-ameaças. O encontro pode resultar em acordo de cooperação ou escalada adicional, dependendo da disposição de Petro em fazer concessões sobre políticas antidrogas.​

Tendências de Médio Prazo (Abril-Dezembro 2026)

Regional: Espera-se intensificação da polarização política na América Latina, com governos de direita alinhando-se mais estreitamente com Washington e governos de esquerda buscando diversificar parcerias geopolíticas com China, Rússia e entre si. Eleições em vários países latino-americanos em 2026, incluindo Brasil, podem sofrer interferência direta ou indireta dos EUA.​

Global: Especialistas antecipam que o precedente venezuelano pode encorajar violações similares da soberania estatal por outras potências. O impacto na credibilidade americana como parceiro de segurança confiável é profundo, com 93% dos especialistas em relações internacionais acreditando que a política de Trump em relação à Ucrânia/Rússia prejudicou a reputação dos EUA. Este dano à confiança pode afetar compromissos de defesa em relação a Taiwan, Coréia do Sul e aliados europeus.​

Econômico: A retomada das vendas de petróleo venezuelano deve impactar mercados energéticos globais. Trump busca reduzir preços do petróleo para seu objetivo de US$ 50 por barril. Empresas americanas como Chevron, além de espanholas como Repsol e indianas como Reliance, estão posicionadas para investir na infraestrutura petroleira venezuelana.​

Conclusão: Entre Doutrina e Improviso

A análise das fontes internacionais confiáveis revela quadro complexo. As ameaças de Trump não são uniformes: algumas já se concretizaram (Venezuela), outras são altamente implausíveis por razões práticas (anexação militar da Groenlândia ou México), e outras ainda ocupam zona cinzenta de pressão econômica e política sem intervenção militar direta (Cuba, Panamá).

O padrão emergente sugere que Trump está disposto a usar força militar em países menores da América Latina que considera adversários ideológicos e onde pode alegar justificativa de combate ao narcotráfico, especialmente se houver ganhos econômicos claros (como o petróleo venezuelano). As ameaças à Groenlândia parecem mais táticas de negociação para expandir presença militar americana no Ártico do que planos sérios de invasão, dadas as consequências catastróficas para a OTAN.

Colômbia, México e Cuba enfrentam riscos diferenciados: Colômbia está genuinamente ameaçada se Petro continuar confrontando Trump; México consegue equilibrar cooperação e resistência devido à interdependência econômica; e Cuba enfrenta estratégia de colapso econômico induzido.

A comunidade internacional está dividida e em grande parte impotente para conter o que muitos caracterizam como retorno ao intervencionismo imperial do início do século XX. Europa manifesta solidariedade retórica mas capacidade limitada de ação. Rússia e China condenam mas calculam como beneficiar-se do precedente e da distração americana. América Latina está fragmentada entre direita que apoia e esquerda que condena.

O que permanece claro é que a ordem internacional baseada em regras, já fragilizada, sofreu golpe significativo. Como observou especialista da Chatham House Leslie Vinjamuri: “haverá consequências profundas e duradouras para os aliados dos EUA, o sistema da ONU e a noção importante, se profundamente problemática, da santidade da soberania estatal e o conjunto mais amplo de normas e leis internacionais que sustentam a ordem internacional”.

Nos próximos meses, o mundo observará para ver se a “Doutrina Donroe” representa nova era de intervencionismo americano sistemático ou mais um episódio da política externa errática e transacional de Trump – com consequências reais para milhões de pessoas, independentemente da resposta.

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