quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Fed revela divisão interna e incerteza sobre cortes futuros de juros

por Maria Gabriela Portugal
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FED

Ata do Fed Revela Divisão Interna e Aumenta Incerteza sobre Futuro dos Juros

A recente ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), divulgada na quarta-feira (19) — um dia antes do feriado de Ação de Graças nos EUA — revisitou uma divisão significativa entre os dirigentes do banco central americano e gerou cautela nos mercados globais. O documento indicou que, embora um novo corte na taxa de juros em dezembro não esteja descartado, ele também não é uma “conclusão inevitável”, como sugeriu o presidente Jerome Powell anteriormente.

Divergência de Opiniões

A ata detalhou que a decisão de cortar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano em outubro, foi tomada em meio a opiniões “fortemente diferentes” entre os membros do comitê. Enquanto a maioria dos dirigentes votou pelo corte, houve votos divergentes a favor de uma política monetária mais restritiva e outros por uma mais flexível.

Muitos membros sugeriram que pode ser apropriado manter as taxas de juros nos níveis atuais pelo resto do ano para avaliar melhor o cenário econômico, enquanto outros veem espaço para cortes maiores, dependendo dos dados.

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Inflação e “Apagão de Dados” no Radar

Um dos principais pontos de cautela mencionados na ata é a inflação, que, embora tenha recuado de seu pico em 2022, permanece acima da meta de longo prazo de 2%. Além disso, os dirigentes expressaram dificuldade em avaliar a atividade econômica geral devido à falta de dados completos, um “apagão de dados” causado, em parte, por paralisações (shutdowns) do governo federal.

A equipe do Fed projeta um Produto Interno Bruto (PIB) mais forte até 2028, mas vê a inflação pressionada no curto prazo por potenciais tarifas, um aceno às incertezas relacionadas à política comercial.

Mercado Cauteloso

A divulgação da ata e as incertezas sobre os próximos passos do Fed impactaram os mercados. O dólar operou em alta frente ao real, e os investidores agora aguardam a próxima reunião do FOMC, marcada para os dias 9 e 10 de dezembro, para obter sinais mais claros sobre a direção da política monetária americana.

A perspectiva de que o ciclo de cortes possa ser mais lento do que o inicialmente precificado pelo mercado gerou um aumento na volatilidade e na aversão ao risco.

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