A Eletronuclear, estatal responsável pela operação das usinas nucleares de Angra 1 e 2, enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história. A empresa solicitou ao governo federal um aporte emergencial de R$ 1,4 bilhão para evitar a inadimplência e manter em dia compromissos que vencem ainda em 2025.
Segundo fontes próximas à companhia, o caixa da Eletronuclear está “no limite”, e a falta de recursos pode antecipar o vencimento de R$ 6,5 bilhões em dívidas, além de comprometer a continuidade da construção de Angra 3, projeto estimado em R$ 21 bilhões.
O alerta ocorre em meio às negociações da J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que buscam adquirir por R$ 535 milhões a fatia da Axia Energia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear, por meio da subsidiária Âmbar Energia. A operação, inicialmente apresentada como uma solução estratégica para revitalizar o setor nuclear, agora se mostra repleta de obstáculos financeiros, trabalhistas e de gestão.
Um dos principais gargalos é a alavancagem excessiva da estatal, que consome recursos até mesmo do caixa operacional. Além disso, a Eletronuclear precisa honrar R$ 570 milhões em pagamentos em dezembro, valor que seria coberto por uma emissão de debêntures ainda não concretizada.
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Sem a injeção de capital, a estatal pode se tornar dependente do Tesouro Nacional para custear despesas básicas e folha de pagamento — o que elevaria a pressão sobre o Orçamento Federal em um momento de forte restrição fiscal.
Fontes internas descrevem o cenário como “caótico”, com risco de paralisação de atividades e impacto direto sobre o cronograma de Angra 3, considerada essencial para a segurança energética do país.

