Caso Banco Master e crise envolvendo autoridades chegam à reta final da campanha presidencial e passam a ser explorados pelos dois principais candidatos
O caso Banco Master deixou definitivamente o terreno financeiro e judicial para entrar no centro da disputa presidencial de 2026. A poucas semanas do primeiro turno, revelações envolvendo o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, passaram a alimentar ataques cruzados entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (24), uma nova informação aumentou a pressão sobre a campanha de Flávio. Segundo reportagem da revista Piauí, repercutida pela Folha de S.Paulo, o senador viajou da Flórida para Brasília, em janeiro de 2025, em um jato executivo que tinha entre seus cotistas uma empresa da qual Vorcaro era sócio. A aeronave também teria sido utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A reportagem informa que Flávio não comentou o episódio.
A revelação surge justamente quando o caso Master se transforma em uma das principais armas da campanha presidencial. Documentos das investigações que tiveram o sigilo retirado expuseram informações envolvendo diferentes autoridades e personagens políticos, além de detalhes sobre a investigação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A disputa política agora ocorre em duas direções.
De um lado, Flávio Bolsonaro procura associar o governo Lula à crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e Vorcaro. Nesta quarta-feira (23), o senador apresentou uma notícia-crime pedindo investigação de Lula por supostos crimes relacionados a alegados contatos e tratativas envolvendo o presidente, Vorcaro e interlocutores. Trata-se de uma acusação apresentada pelo candidato, e não de uma conclusão judicial sobre a responsabilidade do presidente.
Do outro lado, Lula e seus aliados procuram relacionar o surgimento e a expansão do Banco Master ao período do governo Jair Bolsonaro. O presidente afirmou recentemente que Vorcaro se tornou banqueiro durante a administração anterior. O Banco Master recebeu autorização do Banco Central para funcionar em outubro de 2019, quando Roberto Campos Neto presidia a instituição.
O resultado é uma disputa política sobre quem será associado ao escândalo.
A campanha de Flávio tenta aproximar Lula do desgaste enfrentado pelo STF, enquanto aliados do presidente procuram enfatizar as conexões entre Vorcaro e pessoas próximas ao bolsonarismo. Analistas ouvidos pelo InfoMoney descrevem essa dinâmica como uma tentativa simultânea das campanhas de aumentar a rejeição do adversário.
O Tribunal Superior Eleitoral também já entrou nesse conflito. Nesta semana, o ministro Kassio Nunes Marques determinou que o Instagram retirasse um vídeo que associava Flávio Bolsonaro ao Banco Master e a supostos crimes. Segundo a decisão, associações a fatos criminosos sem comprovação concreta poderiam atingir a honra e a imagem do candidato.
Com a eleição entrando em sua fase decisiva, o caso Master ameaça permanecer no centro da campanha. Cada novo documento, depoimento ou revelação pode ser imediatamente incorporado ao confronto eleitoral.
Mais do que um escândalo bancário, o Master tornou-se agora uma disputa pela narrativa política: Lula e Flávio Bolsonaro tentam afastar de si o desgaste do caso enquanto procuram aproximá-lo do principal adversário.

