domingo, 1 de fevereiro de 2026

Conflito EUA-Irã: Ameaça de Ataque e a Resposta de Teerã

por Marco Antonio Portugal
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CONFLITO

O conflito no Golfo Pérsico atinge um ponto de ebulição com a intensificação das ameaças militares dos Estados Unidos e a resposta desafiadora do Irã. A retórica agressiva do Presidente Donald Trump, aliada à mobilização de um grupo de ataque naval no Mar Arábico, colocou a região em alerta máximo. Em Teerã, as autoridades iranianas declaram que qualquer ação militar será recebida com uma retaliação “total e sem precedentes”, recusando-se a negociar sob a sombra da coerção. A crise é observada de perto por potências como Rússia e China, que pedem contenção e criticam a “diplomacia de pressão” americana.

A Escalada do Conflito e a “Fase 3” Iraniana

A percepção de crise em Teerã é de uma escalada contínua e planejada. O Vice-Ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que o país está entrando na “terceira fase” de um Conflito em curso com os Estados Unidos e Israel. Segundo a narrativa iraniana, esta nova etapa sucede uma “guerra de 12 dias” ocorrida em junho de 2025 e um período de instabilidade interna e protestos orquestrados por Washington em janeiro deste ano.

Apesar da postura defensiva, o diplomata iraniano reiterou que Teerã não busca a guerra, mas considera essencial manter uma defesa robusta. “Não deteremos nosso fortalecimento das defesas, independentemente do progresso nas negociações”, afirmou Gharibabadi, sinalizando que a segurança nacional é inegociável. Esta declaração, veiculada pela agência russa TASS, sublinha a determinação iraniana em manter a capacidade militar enquanto a porta para a diplomacia permanece, teoricamente, aberta.

A Armada Americana e a Ameaça de Trump

Do lado americano, a pressão é exercida por meio de uma combinação de retórica e poderio militar. O Presidente Donald Trump tem exigido publicamente que o Irã retorne à mesa de negociações para um novo acordo que inclua a renúncia a armas nucleares. A mensagem é clara: o tempo para o diálogo está se esgotando.

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A ameaça não se limita às palavras. Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Lincoln e destróieres de mísseis guiados para o Mar Arábico, uma mobilização descrita por Trump como uma “armada massiva”. O Comando Central dos EUA confirmou o posicionamento do grupo de ataque, embora sem revelar sua localização exata. A movimentação militar é vista como um apoio direto às ameaças de Trump de realizar algum tipo de ação militar contra o Irã.

Fontes em Washington indicam que o presidente americano está explorando a possibilidade de ataques aéreos direcionados contra a liderança iraniana e ativos de segurança. O objetivo, segundo analistas, seria desestabilizar o regime e inspirar uma renovação dos protestos internos que eclodiram no Irã no mês anterior. Trump alertou que qualquer ataque futuro seria “muito pior” do que as ações militares anteriores, referindo-se ao ataque às instalações nucleares iranianas em junho de 2025.

Teerã: Resposta “Total e Sem Precedentes”

A resposta de Teerã às ameaças americanas tem sido de total desafio. O Irã rejeitou categoricamente a perspectiva de negociações sob pressão militar. O Ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que “não pode haver negociações em uma atmosfera de ameaças”. Ele exigiu que, se os EUA desejam o diálogo, devem abandonar as ameaças e as “exigências excessivas e ilógicas”.

A prontidão militar iraniana é inquestionável. O corpo diplomático e militar do país tem alertado que as Forças Armadas estão preparadas, com “o dedo no gatilho”. Ali Shamkhani, conselheiro do Líder Supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, advertiu que a noção de um “ataque limitado” contra o Irã é uma ilusão perigosa. Ele deixou claro que qualquer ação militar dos EUA, “de qualquer origem e em qualquer nível”, será considerada o início de uma guerra e provocará uma resposta “imediata, total e sem precedentes”.

A missão do Irã nas Nações Unidas também emitiu um aviso, lembrando o alto custo das guerras anteriores dos EUA no Afeganistão e no Iraque, tanto em termos financeiros quanto em vidas americanas. A mensagem é um apelo à razão, mas com a ressalva de que o Irã se defenderá se for forçado.

O Tabuleiro Geopolítico: Rússia, China e Aliados Regionais

A crise transcende a rivalidade direta entre EUA e Irã, envolvendo potências globais e regionais. A Rússia, através de sua agência de notícias TASS, tem acompanhado de perto a escalada, enfatizando a necessidade de contenção e o repúdio ao uso da força.

A China, por sua vez, tem criticado a abordagem americana. A agência de notícias Xinhua destacou a recusa do Irã em ceder à pressão e a mobilização naval dos EUA, reforçando a posição iraniana de que a diplomacia não pode ser conduzida sob ameaça.

No Oriente Médio, o Irã tem trabalhado para angariar apoio regional. O país contatou diversos estados árabes, e há relatos de que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos não permitirão o uso de seu espaço aéreo para um ataque ao Irã. A Turquia, um membro da OTAN que compartilha uma longa fronteira com o Irã, também se manifestou a favor da diplomacia. O Ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, declarou à Al Jazeera que “é errado atacar o Irã” e que Washington deveria retomar as negociações nucleares.

A recente decisão da União Europeia de designar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) como uma “organização terrorista” adiciona uma camada de complexidade ao Conflito. Embora o Irã tenha condenado a medida como “ilógica e irresponsável”, a designação, que segue uma ação semelhante dos EUA em 2019, aumenta o isolamento de Teerã no cenário internacional.

O Conflito entre Estados Unidos e Irã está em um impasse perigoso. Com a mobilização militar americana e a promessa de retaliação iraniana, a região do Golfo Pérsico se encontra à beira de uma nova e potencialmente devastadora guerra. A comunidade internacional, liderada por potências como Rússia e China, clama por moderação, mas a decisão final pende sobre a mesa de negociações que, até o momento, permanece vazia.

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