Comgás tem sido o centro de uma onda de reclamações por parte de seus consumidores nos últimos meses. O motivo? Aumentos considerados abusivos nas contas de gás encanado, que em alguns casos chegaram a triplicar de valor. A situação tem gerado indignação e levado os clientes a buscarem respostas e soluções para o que consideram uma cobrança injusta.
A Comgás é a maior distribuidora de gás natural do Brasil, atuando na distribuição de gás encanado para os segmentos residencial, comercial, industrial e automotivo. Sua atuação abrange 90 municípios no estado de São Paulo, incluindo a Região Metropolitana de São Paulo e a Região Administrativa de Campinas. Atualmente, a Comgás pertence ao grupo Cosan, conglomerado brasileiro com negócios nas áreas de açúcar, álcool, energia, lubrificantes, e logística.
O que dizem os consumidores e a Comgás
Desde julho, moradores de diversas regiões de São Paulo e Campinas, atendidas pela Comgás, têm se deparado com faturas de gás significativamente mais altas. Relatos indicam que os valores, que antes se mantinham em uma média razoável, subiram drasticamente, chegando a 128% ou até mesmo triplicando em alguns casos. Thiago Leite da Silva, morador da Vila Maria, viu sua conta saltar de R$ 172,57 para R$ 394,94 em agosto, um aumento de 128%. Em outros condomínios, a situação se repete, com boletos até três vezes maiores que a média mensal.
A Comgás, por sua vez, atribui os aumentos a diversos fatores. A principal justificativa apresentada pela concessionária é o inverno rigoroso, que teria provocado um crescimento no consumo de gás, utilizado em aquecedores de água de chuveiros e torneiras. Além disso, a empresa menciona que a tarifa não sofre reajuste desde dezembro de 2024.
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No entanto, as explicações da Comgás nem sempre convencem os consumidores. Em muitos casos, a concessionária alegou que leituristas não conseguiram realizar a medição do consumo nos condomínios, resultando na cobrança pela média dos últimos 12 meses. Essa justificativa, porém, é contestada por clientes que afirmam que o histórico de pagamentos não condiz com a média cobrada. Outras respostas dadas pela empresa incluem possíveis erros de novas empresas de leitura, aumento do uso de aquecedores no frio e problemas de acesso aos medidores. A síndica Karen Silva de Oliveira, que administra um complexo de prédios, destaca que o problema afeta tanto medidores individualizados quanto o gás coletivo, reforçando a percepção de que as justificativas são inconsistentes.
Ações para esclarecer e resolver o problema
Diante do cenário de insatisfação, os consumidores têm buscado diversas vias para resolver a questão. Muitos registraram suas reclamações diretamente nos canais de atendimento da Comgás, buscando esclarecimentos e a revisão dos valores. No entanto, a falta de respostas satisfatórias ou a demora no atendimento têm levado a um aumento nas queixas em órgãos de defesa do consumidor.
Procon-SP e Consumidor.gov.br se tornaram plataformas importantes para a formalização das denúncias. A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) também foi acionada e concedeu um prazo de 48 horas para que a Comgás apresentasse explicações sobre o grande volume de queixas. Em resposta, a concessionária informou que reforçou sua equipe de atendimento no início do inverno e dobrou o efetivo dedicado a esse tipo de solicitação, comprometendo-se a analisar e esclarecer individualmente cada caso, incluindo a solução para eventuais erros de cobrança.
O que o consumidor pode fazer
Para os consumidores que se sentem lesados pelos aumentos nas contas de gás da Comgás, algumas medidas são essenciais:
- Verificar o consumo: Compare o consumo atual com o histórico dos meses anteriores. Discrepâncias significativas sem mudanças nos hábitos de consumo podem indicar um problema.
- Checar a leitura do medidor: Confirme se a leitura presente na conta corresponde à leitura real do medidor de gás. Caso a Comgás alegue impossibilidade de leitura, conteste a cobrança baseada na média.
- Contatar a Comgás: Utilize os canais oficiais da empresa para registrar sua reclamação e solicitar esclarecimentos. Anote sempre o número de protocolo do atendimento.
- Registrar reclamações em órgãos de defesa: Se não for atendimento diretamente pela Comgás, formalize sua queixa no Procon-SP ou Consumidor.gov.br. Esses canais recebem reclamações por meio de formulário digital e podem intermediar a resolução do problema.
- Acionar a Arsesp: A agência reguladora tem poder para intervir e exigir explicações e soluções da concessionária.
- Documentar tudo: Guarde todas as cópias de contas, protocolos de atendimento, e-mails e qualquer outra comunicação relacionada ao caso. Essa documentação é crucial para comprovar suas alegações.
- Buscar apoio jurídico: Se as tentativas de resolução administrativa não forem bem-sucedidas e a cobrança abusiva persistir, procure orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis.
A situação das contas de gás da Comgás exige atenção e ação por parte dos consumidores. A organização das informações e a busca pelos canais corretos são fundamentais para garantir que os direitos sejam respeitados e que a concessionária preste os devidos esclarecimentos e soluções.

