quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ciência brasileira recebe reforço bilionário para 2026

por Marco Antonio Portugal
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CIÊNCIA

A ciência no Brasil está em evidência. Investimentos em pesquisa acadêmica e infraestrutura tecnológica ganham novo fôlego com a liberação de créditos suplementares e a consolidação de planos estratégicos nacionais. O governo federal autorizou recentemente o aporte de R$ 1,36 bilhão para recompor orçamentos essenciais, sinalizando que o conhecimento científico permanece no centro da agenda de desenvolvimento do país.

A decisão, oficializada pela Portaria GM/MPO n.º 12/2026, beneficia diretamente instituições que formam a base da produção intelectual brasileira. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) recebeu R$ 186,3 milhões, montante destinado prioritariamente à manutenção de bolsas e à fixação de pesquisadores. Essa medida é vista por especialistas como um passo crucial para reverter a fuga de cérebros e garantir estabilidade aos jovens talentos que atuam em áreas estratégicas.

Além do CNPq, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) foi contemplada com R$ 230 milhões para o fomento de bolsas na educação superior e profissional. O pacote de investimentos também alcança o custeio das universidades federais e da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que juntas somam quase R$ 500 milhões em novos recursos.

InstituiçãoValor do Aporte (R$)Destinação Principal
CNPq186,3 milhõesBolsas de pesquisa e fixação de talentos
Capes230 milhõesBolsas de pós-graduação e educação superior
Universidades Federais332 milhõesCusteio e manutenção institucional
Rede Federal (EPT)156 milhõesEducação profissional e tecnológica

Soberania tecnológica e o papel do FNDCT

Os investimentos previstos para 2026 não se limitam à recomposição de perdas passadas, mas miram a consolidação de uma infraestrutura de ponta. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) desponta como o principal motor dessa transformação, com uma previsão orçamentária que pode mobilizar até R$ 22 bilhões por meio de recursos diretos e operações de crédito via Finep.

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Este volume financeiro está atrelado às missões da Nova Indústria Brasil e ao Novo PAC, focando em áreas como transição energética, saúde e transformação digital. A estratégia governamental busca integrar a produção acadêmica às necessidades do setor produtivo, transformando artigos científicos em soluções práticas para a sociedade. A sanção de leis que permitem o uso do superávit financeiro do fundo ampliou a capacidade de execução, permitindo que projetos de longo prazo tenham continuidade garantida.

Inteligência artificial como fronteira do conhecimento

A investimentos em tecnologia de fronteira ganha destaque com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê a aplicação de R$ 23 bilhões até 2028. Para o ano de 2026, a meta é consolidar o Brasil como um polo de inovação em IA na América Latina, utilizando infraestruturas robustas como o supercomputador Jaci, recentemente inaugurado.

O plano estruturado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foca na formação de capital humano, com a ambiciosa meta de capacitar 5 milhões de pessoas até 2027. No âmbito acadêmico, isso se traduz em novos editais de pesquisa voltados para o desenvolvimento de modelos de linguagem nacionais, como o projeto SoberanIA, e a aplicação de algoritmos em serviços públicos essenciais.

“2026 será o ano em que consolidaremos a volta da ciência ao centro do projeto de desenvolvimento nacional. Não estamos fazendo ciência apenas para publicar artigos, mas para garantir a soberania do Brasil e melhorar a vida das pessoas”, afirmou a ministra Luciana Santos em balanço recente.

Desafios e perspectivas para o setor

Apesar do otimismo gerado pelos novos aportes, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. Os investimentos precisam superar a volatilidade orçamentária que marcou a última década. Entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) ressaltam que a recomposição atual é necessária, mas deve ser acompanhada de uma política de Estado que garanta previsibilidade financeira.

A manutenção do ciclo de crescimento depende da capacidade de execução dos recursos e da desburocratização do acesso ao fomento. Com a ciência voltando a ser tratada como investimento e não como gasto, o Brasil se posiciona para enfrentar os desafios globais, desde as mudanças climáticas até a revolução digital, ancorado em uma base acadêmica sólida e valorizada.

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