Centenas de crateras gigantes surgem em área rural da Turquia.
A planície de Konya, uma das regiões agrícolas mais importantes da Turquia, vive uma crise geológica crescente. Quase 700 sumidouros já foram identificados nos últimos anos, de acordo com dados divulgados pela AccuWeather e por pesquisadores locais. O fenômeno, que se intensificou desde os anos 2000, é atribuído à combinação de seca extrema, mudanças climáticas e ao bombeamento excessivo de água subterrânea destinado à irrigação.
Especialistas apontam que a queda no nível dos aquíferos está diretamente ligada ao avanço das crateras, algumas chegando a 100 metros de largura e profundidade. Relatórios da agência estatal Anadolu e estudos geológicos reforçam que o solo da região está cada vez mais instável, colocando em risco propriedades rurais, cabeças de gado, estradas e vilarejos inteiros.
A planície, responsável por grande parte da produção de trigo da Turquia, enfrenta uma pressão dupla: a necessidade crescente por irrigação devido ao clima mais seco e o uso contínuo de poços profundos sem reposição adequada dos aquíferos. O resultado tem sido um colapso subterrâneo progressivo, com novas aberturas surgindo anualmente.
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Um vídeo divulgado recentemente mostra imagens aéreas de várias dessas formações, evidenciando a escala do problema. Geólogos alertam que, sem mudanças nas práticas agrícolas e sem políticas hídricas mais rígidas, o número de sumidouros pode continuar aumentando. Eles comparam o caso turco a episódios de subsidência registrados em áreas agrícolas da Califórnia, onde o rebaixamento do solo também está relacionado à exploração intensiva da água subterrânea.
Para agricultores da região, o cenário é de preocupação. Muitos temem que áreas inteiras de cultivo se tornem inutilizáveis, agravando ainda mais a vulnerabilidade econômica de comunidades rurais. A discussão sobre o uso sustentável da água, antes restrita a especialistas, agora ganha força como tema urgente para o futuro da segurança alimentar do país.

