quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Brasil e China reafirmam aliança em meio a tensões globais

por Maria Gabriela Portugal
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Em uma conversa telefônica realizada na manhã de 23 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping reafirmaram a aliança estratégica entre Brasil e China, em um momento crítico marcado por instabilidades internacionais.

De acordo com comunicados divulgados pela agência estatal Xinhua e pela assessoria da Presidência brasileira, Xi expressou apoio explícito ao Brasil e aos países em desenvolvimento, afirmando que Pequim permanecerá ao lado de Brasília “em tempos turbulentos”. A conversa ocorre poucos dias após fortes críticas do governo Lula a uma operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Embora não tenha sido confirmado se a questão venezuelana foi o foco principal da conversa, fontes diplomáticas indicam que a situação na América do Sul foi um dos tópicos discutidos. Lula reiterou a posição brasileira de repúdio a intervenções unilaterais, enquanto Xi enfatizou a necessidade de preservar a soberania dos países latino-americanos e o multilateralismo.

Defesa da ONU e do Sul Global

O diálogo centrou-se na defesa do “papel central” das Nações Unidas e na necessidade de os países do Sul Global atuarem coordenadamente. Xi solicitou que Brasil e China permaneçam “do lado correto da história” e trabalhem juntos para salvaguardar a paz mundial. Lula, por sua vez, reiterou a importância da reforma da ONU, uma bandeira histórica da diplomacia brasileira, buscando maior representatividade aos países em desenvolvimento.

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A conversa também serviu para reativar compromissos firmados em 2024 durante a visita de Estado de Xi ao Brasil. Os líderes alinharam a Iniciativa Cinturão e Rota aos principais eixos da política econômica e ambiental brasileira, destacando a potencialidade de novos investimentos chineses em áreas estratégicas como energias renováveis e tecnologia verde.

Contexto de Polarização Global

Esse telefonema acontece poucos dias após a apresentação do “Board of Peace”, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos que gerou reações divididas. Enquanto alguns veem essa proposta como uma alternativa à ONU, Brasil e China interpretam como mais uma erosão do sistema multilateral clássico.

Nos últimos dias, Lula intensificou contatos com líderes do Sul Global, incluindo uma conversa com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, reforçando a coordenação entre as maiores economias emergentes.

Próximos Passos

A leitura chinesa da conversa destaca que Pequim considera o Brasil uma “boa amiga e parceira” na América Latina e um pilar fundamental de sua estratégia no hemisfério sul. O governo brasileiro enfatizou o tom de “solidariedade” e o compromisso mútuo de aprofundar a cooperação em campos como economia, comércio, tecnologia e transição ecológica.

Analistas avaliam que o telefonema é uma tentativa de robustecer a relação bilateral contra pressões externas, especialmente em um ano potencialmente volátil para a geopolítica. Com a crise venezuelana ainda sem resolução e um cenário global fragmentado, a parceria Brasil-China pode se tornar um elemento crucial tanto econômica quanto politicamente. Nos próximos meses, os desdobramentos dessa aproximação serão observados, especialmente quanto à sua concretização em ações práticas no plano multilateral.

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