O nascimento do BNH
O Banco Nacional da Habitação (BNH) foi criado em 1964, durante o governo do marechal Castelo Branco, visando reduzir o déficit habitacional e financiar o sonho da casa própria.
A instituição tornou-se o eixo central do recém-criado Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e passou a operar com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e das cadernetas de poupança.
Durante as décadas de 1960 e 1970, o BNH foi o grande motor da política habitacional brasileira, articulando governos estaduais, prefeituras e companhias habitacionais, como as COHABs (Companhias de Habitação Popular).
O auge: milhões de moradias e o sonho da casa própria
Ao longo de mais de 20 anos, o BNH financiou milhões de unidades habitacionais e impulsionou o crescimento urbano em várias regiões do país.
O banco também investiu em saneamento básico, infraestrutura e planejamento urbano, consolidando um modelo de desenvolvimento que integrava moradia e urbanização.
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O acesso à casa própria se tornou símbolo de estabilidade e progresso, especialmente durante o regime militar. Além disso, o slogan “a casa é a base da família” expressava bem o espírito da época.
A crise financeira dos anos 1980
O sucesso do BNH começou a se desfazer no início dos anos 1980, quando o Brasil mergulhou em uma crise econômica e inflacionária.
A inflação galopante corroía o valor das prestações, enquanto os salários não acompanhavam os reajustes. O resultado foi um aumento drástico da inadimplência e o desequilíbrio financeiro do banco.
Ao mesmo tempo, a crise das cadernetas de poupança — uma das principais fontes de recursos do sistema — reduziu o fluxo de dinheiro disponível para os financiamentos imobiliários. O modelo do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ficou fragilizado e burocrático.
A pressão dos bancos privados
A partir do final dos anos 1970, os bancos privados, como Bradesco, Itaú, Unibanco e Bamerindus, começaram a pressionar o governo por mais autonomia na gestão dos recursos habitacionais.
Essas instituições criticavam o controle rígido do BNH sobretaxas e prazos, que limitava a rentabilidade e a liberdade de operação do setor financeiro.
Com o enfraquecimento do banco e o avanço da Nova República, essas vozes ganharam força.
O governo civil de José Sarney, empossado em 1985, adotou uma política de redução da intervenção estatal na economia e passou a defender a descentralização das políticas públicas, inclusive na habitação.
O fim do BNH
Em meio à crise financeira e à nova orientação econômica, o governo decidiu encerrar as atividades do banco.
O Decreto n.º 92.741, de 1º de junho de 1986, extinguiu oficialmente o BNH.
Suas funções — como o crédito habitacional, a coordenação do SFH e a gestão do FGTS — foram transferidas para a Caixa Econômica Federal, que assumiu o protagonismo nas políticas de habitação popular a partir de então.
A justificativa oficial foi “racionalizar a estrutura administrativa e evitar sobreposições de funções”. Na prática, a extinção marcou o fim de um modelo centralizado e estatal de financiamento habitacional.
O legado que sobreviveu
Mesmo extinto, o BNH deixou um legado profundo.
O modelo de financiamento criado nos anos 1960 serviu de base para programas posteriores, como o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), o Minha Casa, Minha Vida e o Casa Verde e Amarela.
Mais do que uma instituição financeira, o BNH representou um projeto de Estado que buscava equilibrar crescimento urbano e inclusão social — um desafio que ainda persiste no Brasil contemporâneo.
Linha do tempo — do auge à extinção
- 1964: Criação do BNH e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
- 1966: Instituição do FGTS, principal fonte de recursos do banco.
- 1970–1979: Auge das operações; milhões de moradias financiadas.
- 1980–1985: Crise econômica, inflação e aumento da inadimplência.
- 1986: Decreto nº 92.741 extingue o BNH; funções passam à Caixa Econômica Federal.

