Instituição reforça política de risco e promete barrar novos empréstimos a quem recorrer à Justiça; decisão reflete aumento da inadimplência no agronegócio.
O Banco do Brasil (BBAS3) decidiu adotar uma linha mais dura na concessão de crédito ao agronegócio. A instituição, maior financiadora do setor no país, anunciou que produtores rurais que entrarem em recuperação judicial deixarão de ter acesso a novos empréstimos — definitivamente.
“Eles não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”, afirmou o diretor de riscos do banco, Felipe Prince. “A recuperação judicial é uma armadilha para o produtor — ele perde acesso ao crédito e não consegue plantar a próxima safra.”
A fala, feita durante evento com o setor financeiro, marca uma mudança significativa na política de crédito do Banco do Brasil, em meio ao aumento de pedidos de recuperação judicial e de calotes nas regiões rurais.
Crédito mais restrito e garantias mais rígidas
O BB vem revisando suas condições de financiamento, exigindo pagamentos mais rápidos e garantias mais robustas para novos contratos.
A estratégia faz parte de um movimento de contenção de risco na carteira agrícola, que hoje representa uma das principais exposições do banco.
De acordo com executivos do setor, a medida reflete a preocupação da instituição com o crescimento da inadimplência rural, especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás, onde produtores enfrentam queda nas margens e recuo nos preços de commodities como soja e milho.
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Pressão sobre o agronegócio
Especialistas avaliam que a decisão pode dificultar o acesso ao crédito para produtores endividados e pressionar o fluxo de financiamento da próxima safra.
A medida também pode levar o governo a reforçar programas de apoio, como o Plano Safra, diante do risco de falta de capital de giro no campo.
Por outro lado, cooperativas, fintechs e bancos privados devem tentar ocupar o espaço deixado pelo BB, oferecendo alternativas de crédito a produtores com bom histórico.
Sinal positivo para investidores
Para o mercado financeiro, o endurecimento da política de crédito é visto como um sinal de prudência e disciplina de risco.
Analistas apontam que a decisão deve proteger a rentabilidade e a qualidade da carteira do banco, reduzindo a necessidade de provisões futuras.
“O BB prefere preservar a solidez a crescer a qualquer custo”, resume um gestor de fundos ouvido pelo Valor.
Apesar de limitar o ritmo de expansão do crédito rural, a estratégia é considerada positiva para BBAS3 no curto e médio prazo, reforçando a imagem da instituição como banco sólido, rentável e bem gerido.
Resumo do impacto
- Banco do Brasil adota postura mais rígida com produtores em recuperação judicial;
- Crédito será negado a quem recorrer à Justiça para renegociar dívidas;
- Medida visa conter risco de calotes e preservar a qualidade da carteira rural;
- Analistas veem decisão como positiva para a ação BBAS3, apesar de possível desaceleração no crédito agro.

