Árvores provocam controvérsia em São Paulo. O CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, culpou a arborização urbana pelos apagões recorrentes na cidade. Sua fala repercutiu forte e dividiu opiniões entre autoridades e moradores.
Declaração polêmica do executivo
Flavio Cattaneo, presidente mundial da Enel, soltou a frase durante evento em Milão. Ele disse que, com a arborização atual, “só Jesus Cristo” evitaria interrupções no fornecimento de energia. A rede aérea sofre com quedas de árvores em tempestades, o que danifica cabos e atrasa reparos.
Só Jesus Cristo
Cattaneo destacou que o problema vai além da Enel. Ele propôs uma solução prática: cortar árvores grandes e replantar espécies menores. Assim, manteria o número de plantas, mas reduziria riscos à fiação. A companhia planeja enviar carta ao presidente Lula e ao ministro de Minas e Energia com essa ideia.
A Enel mapeou 770 mil árvores na Grande SP em projeto com prefeituras. Dos casos de dezembro de 2025, apenas nove das 145 árvores caídas tinham risco identificado previamente. Ainda assim, o executivo insiste na necessidade de ação conjunta.
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Reação imediata do prefeito
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, rebateu rápido a declaração. Ele chamou a fala de desrespeitosa à população e negou que árvores expliquem 80% dos apagões. “Mais de 80% das regiões sem luz não têm relação com quedas de árvores”, afirmou.
Nunes acusou a Enel de ineficiência e irresponsabilidade. Ele repetiu críticas antigas e defendeu que a empresa precisa melhorar. O prefeito já cobra há tempos a concessionária por falhas recorrentes, como nos vendavais de 2023 e 2025.
A tensão não é nova. Em dezembro de 2025, 2,2 milhões de imóveis ficaram sem energia após ventania. Nunes notificou a Aneel e apoiou o fim do contrato com a Enel, anunciado pelos governos federal, estadual e municipal.
Responsabilidades divididas na crise
A poda de árvores em vias públicas cabe à prefeitura ou aos moradores, por lei municipal. Pedidos vão pelo 156 ou site da prefeitura. A Enel só atua quando galhos tocam a fiação, com autorização municipal.
Existem convênios entre a Prefeitura e a Enel para agilizar podas. A empresa identifica riscos e informa subprefeituras, que programam ações conjuntas. Em 2020, o prazo caiu de 120 para 90 dias. Mas moradores ainda relatam demoras.
A Enel cuida da distribuição de energia, mas enfrenta críticas por rede aérea exposta. Especialistas pedem modernização, como cabos subterrâneos ou isolados. Custo alto limita isso, então podas preventivas viram foco.
Histórico de apagões e cobranças
São Paulo vive apagões em chuvas fortes. Em fevereiro de 2026, nova tempestade derrubou 200 árvores e deixou bairros como Moema e Santana no escuro. Moradores cobraram a Enel nas redes.
Governo federal mandou apurar falhas da Enel em janeiro de 2026. Lula determinou investigação pela CGU e Aneel sobre serviço ineficiente. A agência regula concessões e pode multar.
A Enel investiu R$ 10 bilhões de 2018 a 2024 e planeja mais R$ 10,4 bilhões até 2027. Contratou 1.600 profissionais em 2025. Mas indicadores de qualidade melhoram devagar, segundo a própria empresa.
Soluções propostas e desafios futuros
Cattaneo sugere plano de corte e replantio para arborização segura. Ele vê discussões positivas com autoridades brasileiras. Mas Nunes contesta e prefere responsabilizar a distribuidora.
Prefeitura removeu 13 mil árvores e fez 170 mil podas em 2025. Enel reforça equipes em emergências. Questão ambiental complica: árvores menores preservam verde, mas ativistas temem perda de biodiversidade.
Aneel fiscaliza e pode encerrar concessão, mas o processo é longo. Moradores sofrem com semáforos apagados e dias sem luz. Pressão cresce por rede subterrânea em áreas críticas, como Avenida Paulista.
Enquanto isso, chuvas voltam e tensão persiste. Autoridades trocam acusações. Solução exige parceria real entre Enel, prefeitura e reguladores. São Paulo clama por luz estável.

