Ações da Embraer (EMBR3) registraram uma queda expressiva de 5,82% na última quinta-feira, 2 de outubro de 2025, encerrando o pregão cotadas a R$ 75,71. O movimento, que colocou o papel entre as principais perdas do Ibovespa no dia, surpreendeu parte do mercado, ao ocorrer simultaneamente a duas notícias importantes. De um lado, a fabricante brasileira de aeronaves havia divulgado um aumento de 5% nas entregas de aeronaves no terceiro trimestre. De outro, circularam informações sobre a possível revisão de acordos anticorrupção pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluindo casos envolvendo empresas brasileiras. Esse cenário complexo levanta questionamentos sobre o que realmente pesou na decisão dos investidores e qual a tendência para as ações da Embraer nos próximos dias.
O dia em que as ações da Embraer caíram 5,82%
O dia 2 de outubro de 2025 foi marcado pela forte volatilidade para as ações da Embraer. Os papéis da companhia, negociados sob o ticker EMBR3, chegaram a atingir a mínima do dia, refletindo um sentimento de aversão ao risco que contaminou o mercado de forma geral. O volume negociado foi expressivo, com 7,24 milhões de ações trocando de mãos, demonstrando o interesse e a preocupação dos investidores com o ativo. A queda de 5,82% representou uma perda de R$ 4,68 por ação em um único dia, um movimento brusco que acendeu o alerta de analistas e investidores. Esse desempenho negativo das ações da Embraer contribuiu para a baixa de 1,08% do Ibovespa, que fechou aos 143.949,64 pontos, em seu pior desempenho desde 19 de agosto. O cenário, portanto, não foi isolado, mas a magnitude da queda da Embraer se destacou no pregão.
Questão anticorrupção volta ao radar com governo Trump
Um fator que pode ter contribuído significativamente para a queda das ações da Embraer foi a circulação de notícias sobre a revisão de acordos anticorrupção pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em carta enviada no dia 24 de setembro, o procurador Edward Martin solicitou esclarecimentos sobre acordos de leniência firmados durante administrações anteriores, com foco especial no caso Odebrecht. Segundo Martin, enquanto o acordo da Odebrecht teria omitido detalhes importantes, outros casos do mesmo período, incluindo Embraer, OZ Africa e Glencore, preservaram informações detalhadas e garantiram restituição às vítimas.
A menção específica à Embraer, somada a especulações em redes sociais de que empresas brasileiras com acordos anteriores poderiam “voltar ao radar” da Justiça americana, gerou incertezas no mercado. Vale lembrar que a Embraer pagou US$ 205 milhões em 2016 para resolver acusações de violação da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA), caso que foi oficialmente encerrado em 2020. Contudo, a possibilidade de revisão desses acordos trouxe volatilidade para as ações da Embraer.
Publicidade
O paradoxo das entregas e a reação do mercado
Paralelamente às preocupações anticorrupção, a Embraer havia divulgado seus dados de entregas do terceiro trimestre de 2025, que, à primeira vista, eram positivos. A companhia entregou um total de 62 aeronaves, um aumento de 5% em relação às 59 entregas do mesmo período de 2024. O destaque ficou por conta da aviação comercial, que viu um salto de 25% nas entregas, com 20 aeronaves. A aviação executiva manteve-se estável, com 41 jatos entregues. Apesar dos números, a reação do mercado foi negativa. Analistas do Citi, em relatório, classificaram os dados como “mornos”, afirmando que as entregas estavam “no caminho certo para atingir a extremidade inferior da orientação” para 2025. Essa análise pode ter frustrado as expectativas de investidores que esperavam números mais robustos, capazes de superar o piso das projeções da própria empresa. A percepção de que a Embraer poderia não superar suas metas anuais, mesmo com o crescimento trimestral, parece ter pesado mais do que os próprios números de entrega.
Cenário macroeconômico adverso pressiona as ações da Embraer
Além da questão anticorrupção e da reação aos dados operacionais, o desempenho das ações da Embraer foi impactado por um cenário macroeconômico adverso. A paralisação do governo dos Estados Unidos (shutdown) gerou incertezas nos mercados globais, afetando a confiança dos investidores.
No Brasil, as preocupações com a situação fiscal do país voltaram a ganhar força, com discussões sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Esse temor fiscal, somado à alta do dólar, que fechou cotado a R$ 5,339, criou um ambiente de aversão ao risco na bolsa brasileira. Nesse contexto, empresas com grande exposição ao mercado internacional, como a Embraer, tornam-se mais sensíveis às flutuações cambiais e às incertezas globais. A queda generalizada do Ibovespa e de outros ativos de risco demonstra que a pressão sobre as ações da Embraer não foi um evento isolado, mas parte de um movimento mais amplo de cautela dos investidores diante de múltiplos fatores de risco.
Análise técnica: o que os gráficos dizem sobre as ações da Embraer
A análise técnica dos gráficos da EMBR3 revela sinais contraditórios, dependendo do horizonte de tempo. No curto prazo (diário e intradiário), a indicação é de “venda forte”. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 dias está em 30,594, muito próximo da zona de sobrevenda (abaixo de 30), o que pode indicar que a queda recente foi exagerada e que uma correção técnica de alta pode estar próxima. O preço da ação está abaixo das médias móveis de 5, 50 e 200 dias, reforçando a tendência de baixa no curto prazo.
Por outro lado, nos gráficos semanal e mensal, a indicação é de “compra forte”, sugerindo que a tendência de longo prazo para as ações da Embraer permanece positiva. Essa dualidade indica que, enquanto o curto prazo é de cautela, os fundamentos de longo prazo da companhia ainda são vistos como sólidos pelos analistas técnicos. O IFR próximo à zona de sobrevenda sugere que investidores podem estar reagindo de forma exagerada aos riscos de curto prazo.
Projeções e o futuro das ações da Embraer
Olhando para o futuro, as projeções para as ações da Embraer são majoritariamente neutras, mas com um viés positivo no longo prazo. O consenso de analistas aponta para uma recomendação “neutra”, com um preço-alvo médio de R$ 82,09 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de 8,42% em relação ao fechamento de ontem. As projeções variam entre uma máxima de R$ 104,05 e uma mínima de R$ 63,20.
Reforçando a visão positiva de longo prazo, a agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou a perspectiva da Embraer para “positiva” em setembro, e o Banco Safra mantém uma visão otimista, destacando a aceleração contínua na carteira de pedidos da empresa.
O próximo grande catalisador para as ações da Embraer será a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre, em 4 de novembro, que poderá confirmar ou reverter as atuais tendências. Além disso, esclarecimentos sobre a questão anticorrupção podem trazer alívio ao mercado.
Conclusão: um horizonte de oportunidades para as ações da Embraer?
A forte queda das ações da Embraer evidencia a complexidade do mercado financeiro, onde múltiplos fatores se sobrepõem aos fundamentos de uma empresa no curto prazo. A combinação de preocupações anticorrupção, expectativas não atendidas nos dados operacionais e um cenário macroeconômico adverso criou uma tempestade perfeita para o papel.
A análise técnica sugere que a ação pode estar sobrevendida, abrindo espaço para uma recuperação. No entanto, a volatilidade deve continuar, com os investidores atentos aos desdobramentos do shutdown nos EUA, à política fiscal brasileira e a possíveis desdobramentos da revisão de acordos anticorrupção.
Para o investidor de longo prazo, a queda pode representar uma oportunidade de compra, considerando as perspectivas positivas para o setor aeroespacial e a sólida carteira de pedidos da Embraer. A divulgação dos resultados financeiros em novembro será um momento decisivo para o futuro das ações da Embraer, podendo trazer mais clareza sobre a trajetória da companhia e de seus papéis na bolsa.

