A captura de Maduro pelas forças militares dos Estados Unidos, confirmada nas últimas 24 horas, desencadeou um terremoto diplomático que reverbera de Brasília a Pequim. Em uma operação surpresa realizada na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, unidades de elite norte-americanas extraíram o líder venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, de Caracas, transportando-os diretamente para Nova York, onde enfrentarão acusações de narcoterrorismo. O evento, sem precedentes na história recente da América Latina, obrigou líderes mundiais a se posicionarem rapidamente, revelando uma fratura geopolítica profunda sobre os limites da intervenção estrangeira e a soberania nacional.
Enquanto Washington celebra a operação como um golpe decisivo contra o crime organizado e a ditadura, a comunidade internacional reage com uma mistura de euforia, cautela e condenação veemente. A captura de Maduro não apenas remove a figura central do chavismo do tabuleiro, mas também lança a Venezuela, e toda a região, em um território de incerteza absoluta, onde aliados prometem resistência e opositores vislumbram o fim de uma era.
O Cisma Latino-Americano: Entre a Celebração e o Repúdio
A reação na América Latina foi imediata e polarizada, refletindo as divisões ideológicas que marcam o continente. A captura de Maduro serviu como um catalisador que expôs as diferentes visões sobre democracia e soberania na região.
No Brasil, o governo adotou uma postura de firme condenação ao método empregado pelos EUA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação como uma “afronta gravíssima à soberania” e um “precedente extremamente perigoso” para a estabilidade internacional. Para o Itamaraty, embora a crise venezuelana exigisse solução, a intervenção militar direta de uma potência estrangeira rompe com princípios fundamentais de não-intervenção, gerando temores de que tal justificativa possa ser usada futuramente contra outros estados soberanos.
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Em sintonia com o Brasil, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou “profunda preocupação” com os desdobramentos. A Colômbia, que compartilha uma extensa e porosa fronteira com a Venezuela, teme que a captura de Maduro precipite um colapso interno violento, resultando em novas ondas migratórias e instabilidade regional. Petro rejeitou qualquer ação militar unilateral, enfatizando que a paz não se constrói com intervenções externas. O presidente chileno Gabriel Boric e o governo mexicano também somaram vozes ao coro que, independentemente de suas críticas ao regime chavista, considera a operação militar uma violação do direito internacional.
Por outro lado, a Argentina de Javier Milei celebrou abertamente o episódio. Em suas redes sociais, Milei festejou a operação com seu slogan característico, “Viva la libertad, carajo!”, interpretando a captura de Maduro como o triunfo da justiça sobre a tirania. Para este bloco, que inclui a oposição venezuelana liderada por María Corina Machado, a ação norte-americana não foi uma violação, mas sim o cumprimento de uma promessa de libertação e aplicação da lei contra um regime acusado de crimes contra a humanidade. Machado, laureada com o Nobel da Paz em 2025, declarou que “a hora da liberdade chegou”, instando o reconhecimento imediato de Edmundo González Urrutia como presidente legítimo.
O Tabuleiro Global: China, Rússia e o Risco de Escalada
Além das fronteiras regionais, a captura de Maduro provocou reações duras das potências rivais dos Estados Unidos, desenhando o cenário de uma nova crise global. A narrativa de Washington, focada no combate ao narcotráfico e na restauração democrática, colidiu frontalmente com a interpretação de Moscou e Pequim, que veem o ato como uma agressão imperialista inaceitável.
A China, um dos principais credores e parceiros comerciais da Venezuela, reagiu com “profundo choque”. O Ministério das Relações Exteriores em Pequim condenou os “atos hegemônicos” dos EUA, exigindo a libertação imediata de Maduro e garantias de sua segurança física. Para os chineses, a captura de Maduro viola a Carta da ONU e as normas básicas das relações internacionais. A preocupação de Pequim não é apenas diplomática, mas também estratégica, dado o volume de investimentos no setor energético venezuelano que agora se encontra sob controle ou ameaça direta de Washington.
A resposta da Rússia foi ainda mais incisiva. O Kremlin classificou a operação como um “ato de agressão armada” e alertou para o risco de uma escalada imprevisível. Vladimir Putin, aliado histórico do chavismo, vê na ação uma tentativa dos EUA de reconfigurar à força o mapa de influência na América do Sul. Moscou convocou reuniões de emergência e sinalizou que não aceitará passivamente a mudança de regime imposta, embora analistas questionem a capacidade real da Rússia de projetar força militar na Venezuela enquanto mantém seu foco na guerra na Ucrânia. O Irã seguiu a mesma linha, pedindo uma intervenção do Conselho de Segurança da ONU para frear o que chamou de “ilegalidade flagrante”.
Contudo, a questão que paira é: os aliados farão algo além de condenar? Até o momento, a retórica tem sido de denúncia diplomática e ameaças veladas, mas sem movimentação militar concreta para confrontar os EUA diretamente. A captura de Maduro, executada com rapidez e surpresa, parece ter deixado os aliados do regime sem tempo hábil para uma resposta cinética imediata, restando-lhes a arena diplomática para tentar deslegitimar a ocupação norte-americana iminente.
O Vácuo de Poder e o Futuro Incerto da Venezuela
Dentro da Venezuela, a situação é volátil. A captura de Maduro deixou um vácuo de poder que diferentes atores tentam preencher simultaneamente, criando um cenário de potencial conflito civil.
De um lado, o regime tenta manter a coesão. A vice-presidente Delcy Rodríguez, seguindo uma ordem rápida do Supremo Tribunal de Justiça controlado pelo chavismo, assumiu a presidência interina. Em discurso inflamado, Rodríguez classificou a operação como um “sequestro bárbaro” e prometeu que a “Revolução Bolivariana” resistirá. O Ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, ordenou a mobilização das Forças Armadas em “estado de perturbação externa”, embora não esteja claro se a lealdade da tropa se manterá diante da ausência física de seu líder máximo e da presença militar dos EUA.
Do outro lado, a oposição democrática vê a janela de oportunidade definitiva. María Corina Machado e a coalizão opositora pressionam para a transição ser liderada por Edmundo González, vencedor moral das eleições de 2024. No entanto, o próprio presidente Donald Trump adicionou uma camada de complexidade ao afirmar que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela temporariamente até que uma transição segura seja possível, chegando a menosprezar a capacidade de liderança de Machado em declarações recentes.
Essa postura de Washington sugere que a captura de Maduro pode não resultar em uma entrega imediata de poder aos venezuelanos, mas sim em um período de tutela norte-americana, focado, segundo Trump, em “fazer o petróleo fluir” para a reconstrução. Isso coloca a oposição em uma posição delicada: celebrar a queda do ditador enquanto precisa negociar a soberania do país com a força ocupante.
O desfecho desta crise é imprevisível. Se a captura de Maduro será o fim da tragédia venezuelana ou o início de um novo capítulo de violência, dependerá de como as forças internas se realinharão nos próximos dias e de até onde os aliados internacionais do chavismo estão dispostos a ir para desafiar a hegemonia reafirmada dos Estados Unidos no hemisfério.

